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Dia 1 de Dezembro – Dia da Restauração

O fim da Segunda Dinastia deixou o problema da sucessão em aberto, pois dos possíveis sucessores ao trono só D. Sebastião tinha as condições legais, mas tendo desaparecido na Batalha de Alcácer Quibir, o trono foi ocupado (usurpado) pelos espanhóis. Os reinados de Filipe I e Filipe II foram relativamente pacíficos, principalmente porque a monarquia central pouco interferiu nas questões locais de Portugal, que continuavam a ser administradas por portugueses. A partir de 1630, já no reinado de Filipe III, a situação tendeu para um crescente descontentamento.

Maria Fernanda Barroca
30 Nov 2013

As inúmeras guerras em que a casa de Habsburgo se vira envolvida nos últimos anos, contra os Países Baixos (Guerra dos Trinta Anos) e Inglaterra por exemplo, haviam custado vidas portuguesas e oportunidades comerciais. Duas revoltas locais, em 1631 e 1637, não chegaram a ter proporções perigosas mas, em 1640, o poder militar central ficou reduzido pela guerra com a França que tinha provocado revoltas na Catalunha.
A intenção do Conde-Duque de Olivares em 1631 de usar tropas portuguesas nas zonas catalãs descontentes teria acelerado a intervenção da França. O Cardeal Richelieu, através dos seus agentes em Lisboa, encontrou um possível candidato em João II, Duque de Bragança, neto de Catarina de Portugal.
Aproveitando-se da vantagem da falta de popularidade da governadora Margarida de Sabóia, duquesa de Mântua e do seu secretário de Estado Miguel de Vasconcelos, os líderes do partido da independência conduziram uma conjura de palácio em 1 de Dezembro de 1640. Vasconcelos foi praticamente a única vítima, tendo sido lançado à rua por uma janela.
Ocorre amanhã, dia 1, a celebração do Dia da Restauração da Independência.
D. Sebastião era um rei jovem e aventureiro, habituado a ouvir contar episódios das cruzadas de além-mar e quis conquistar o Norte de África numa luta contra os mouros.
Nas Cortes de Tomar em 1581, Filipe II de Espanha é aclamado rei de Portugal e durante 60 anos o nosso país ficou sem o rei legítimo e sob o domínio dos Filipes. D. António ainda se bateu até à morte pela tomada do trono de Portugal contando com o apoio de D. Isabel I que se tinha tornado inimiga de Espanha. Em princípio, as coisas não pareciam correr mal, mas em 1610 surgiu um primeiro sinal de revolta contra o jugo estrangeiro.
Os vários “Filipes”, introduziram uma política de casamentos, conseguindo o casamento de Dona Luísa de Gusmão com o Duque de Bragança pensando que daí sairiam frutos de unificação entre Portugal e Espanha. Mas a paz não se instalou e o povo português vivia descontente.
Começaram as reuniões de conspiradores e um grupo deles reuniu-se em casa de D. Antão de Almada. Eram, D. Miguel de Almeida, Francisco Melo e seu irmão Jorge de Melo, Pedro de Mendonça Furtado, António Saldanha e João Pinto Ribeiro. Resolveram convocar o Duque de Bragança para Vila Viçosa, com o intuito de lhe propor que assumisse a defesa da autonomia portuguesa, o Ceptro e a Coroa de Portugal.
O desejo de independência que minava o povo português cresceu e na madrugada do dia 1 de Dezembro de 1640, um grupo de fidalgos entra no Paço que passa em breve a ser terreno conquistado. João Pinto Ribeiro à pergunta que lhe é feita sobre as intenções dos sublevados responde: «Vamos tirar um Rei e pôr outro». E assim foi: D. Miguel de Almeida assoma à janela e fala ao povo que entretanto se aglomerara no Terreiro do Paço: «Liberdade, Portugueses! Viva El-Rei
D. João IV».
Estava restaurada, ao fim de 60 anos, a independência de Portugal e iniciava-se a 4.ª Dinastia ou Dinastia brigantina, com o Duque de Bragança como primeiro Rei com o nome de D. João IV. A 15 de Dezembro de 1640 o duque de Bragança foi aclamado rei como João IV, mas, ainda com medo à reacção de Filipe III, recusou-se a ser coroado, consagrando a Coroa portuguesa a Nossa Senhora de Vila Viçosa.
  A partir desse momento mais nenhum Rei ousou colocar a Coroa, ficando Nossa Senhora como Rainha de Portugal.




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