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“Democracia à paulada”

Era o que faltava! Mesmo em linguagem metafórica é inaceitável. É uma violação grosseira às regras da democracia. O desespero, os antagonismos, as frustrações não podem ser manifestados através de incitamentos à violência. Os países civilizados e com democracia solidificada comportam-se de outra forma: com rigor, com responsabilidade, com hombridade e com respeito pela lei. O que falta a este singular país não é pauladas, mas a Justiça funcionar. E funcionar de acordo com os crimes cometidos e não ser selectiva como acontece e tem acontecido com toda a normalidade. Impunidade para os poderosos e justiça severa para os outros. O que falta é apuramento das responsabilidades. É exigência e rectidão nos procedimentos.

Armindo Oliveira
30 Nov 2013

É tratamento igual para todos Enquanto estas práticas estiverem em circulação e tiverem o seu uso não sairemos deste sarilho. A moral e a ética não têm lateralidades. Ou seja: os da esquerda são os bonzinhos e os da direita são os mafarricos. Esta dicotomia já não pega. O problema é de outra grandeza: seriedade e sentido de Estado.
Se estamos na situação de emergência social e de dificuldades económicas extremas, há que pedir contas aos causadores desta imensa embrulhada. Todos sabemos quem nos colocou no abismo e quem tem sido o pesadelo dos nossos problemas e da vida infernal que muitas famílias estão a sofrer. É aqui que o incontornável e patético Mário Soares se esquece de apontar o dedo acusador e de materializar as bocas figadais que manda em direcção certeira para determinadas e concisas figuras públicas. Outras figuras há que lhe passam ao lado completamente numa cumplicidade incomodativa e sectária. Culpa uns e iliba outros com uma naturalidade que até causa arrepios. Exige justiça para os adversários e para os inimigos e acarinha os seus correligionários. Esquece-se, por exemplo, de referir a personalidade que meteu o socialismo na gaveta, o pioneiro dos contratos de trabalho a prazo, das vergonhas dos salários em atraso, das histórias ligadas a Macau. Esquece-se de nomear o político que nos colocou no pântano em 2002. Esquece-se de mencionar o nome do político que nos levou à pré-bancarrota em 2011. Esquece-se de citar o nome do tecnocrata e político que se fez de cego, surdo e mudo, perante os escândalos que se passavam na Banca, com destaque para o BPN e BPP. Pode ficar sossegado o ilustre ancião que já ninguém se deixa levar por recados patrióticos encomendados. A democracia merece mais respeito e não pode compaginar-se com estados de alma de pessoas ressabiadas.
Se não houvesse impunidade e amiguismo, de certeza, que não estaríamos no atoleiro em que estamos mergulhados. Os políticos não souberam gerir os destinos do país com classe e com brio. Sempre preferiram as facilidades, os eleitoralismos e as ilusões. Queriam o poder e só o poder para exibir as suas vaidades e a petulância. Não foram humildes, sábios e responsáveis. Não foram prudentes e nunca tiveram visão de estadistas. Limitavam-se a governavam na linha de costa. Não eram audazes. Optaram pelos subsídios a troco de votos. Institucionalizaram a ideia de um Estado gastador e esbanjador na ilusão efémera que o consumo interno seria o esquentador da economia. Enganaram-se como era previsível.
Agora, num aviso provocador, irresponsável e antidemocrático, aparece-nos na praça pública, às portas da entrada do congresso das esquerdas, Vasco Lourenço com a ideia peregrina e militarista que os actuais governantes “ou saem a bem ou saem à paulada”. Este tipo de ameaças, lamentável e inaceitável, ultrapassa todos os limites da tolerância, de democraticidade e do respeito pelos resultados eleitorais. Todos sabemos que uma legislatura tem a duração de quatro anos e os candidatos vencedores terão o poder nas mãos durante esse período de tempo. É assim que a democracia funciona. É assim que Vasco Lourenço tem que respeitar as normas democráticas em vigor.
Mas, mais grave é o comportamento de Mário Soares, velhinho, sempre incomodado e irascível exige que o país se afine pelas suas birras. Nestes últimos tempos, tem conspirado aberta e incessantemente para o derrube deste Governo e do próprio Presidente da República. Perdeu, de facto, o sentido da razoabilidade. O país já não o ouve. Esse é o seu calcanhar de Aquiles. Este é o seu drama.




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