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Afinal já não sei o que é a democracia

O Dr. Mário Soares, na minha opinião, anda a deturpar o verdadeiro significado de democracia, invertendo o seu sentido, dizendo que estamos a caminhar para uma nova ditadura. Por que razão faz essas afirmações? Afinal de quem foi o voto que legitimou o mandato do Presidente da República e dos partidos que governam este país? Afinal só é democrata quem for de esquerda? A maioria atual não foi escolhida pelo povo? O Presidente da República terá que pensar como pensa o Dr. Mário Soares? Foi o voto do povo que o legitimou para pedir a demissão do Governo e do Presidente da República? Acha que lhe fica bem falar em violência quando ela não existe?

Salvador de Sousa
30 Nov 2013

Sr. Dr. Mário Soares, explique ao povo português qual a sua noção de democracia. Será que atuou sempre consensualmente quando foi Primeiro-Ministro e Presidente da República? Será que tudo o que faz na vida, incluindo todas as benesses que usufrui (embora legais!) e que advieram, algumas, dos altos cargos que exerceu, não poderá ser, também, criticável? Houve alguma ditadura quando participou na descolonização que desgraçou muitos portugueses? Houve alguma ditadura quando também decretou medidas de austeridade para salvar o país da “bancarrota”? Quando foi confrontado com manifestações, inclusivamente por trabalhadores com salários em atraso, seria motivo para que o Presidente da República o demitisse? Será que a democracia só é plena quando o Dr. Mário Soares ou o seu partido estão no poder? Seria uma ordem democrática quando se deslocava num autocarro e criticou as forças de segurança que estavam a cumprir os seus deveres profissionais?   
O Dr. Mário Soares, no encontro promovido em defesa da Constituição, afirmou: “É preciso ter consciência de que a violência está à porta (…) É para evitar a violência que estamos aqui, patrioticamente, a defender a Constituição, a Democracia, o Estado Social e o Estado de Direito que estão a ser, como todos sabem, sistematicamente destruídos…”. Defender a Constituição, não seria antes deixar governar aqueles que foram eleitos pelo povo, tendo em conta o Presidente da República que é o garante a independência nacional, a unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas e é o Comandante Supremo das Forças Armadas? Imagine, sr. Dr. Mário Soares, se houvesse demissão simultânea do Primeiro-Ministro e do Presidente da República? O que pensa quando fala dessas tão graves pretensões?
O Vice-Primeiro-Ministro, Paulo Portas, disse e bem que “as declarações do antigo Presidente da República são graves porque elas significam, mesmo involuntariamente, uma legitimação da violência. Em democracia, nunca é a forma adequada de expressar uma opinião. Em democracia a forma adequada de expressar a opinião é o voto.” Diz o povo que “não se devem lembrar pecados velhos”, porque a grande maioria não quer pensar sequer em tal situação, apesar de não concordar e criticar muitas medidas.
Quantos diplomas o Presidente da República enviou para o Tribunal Constitucional por lhe suscitar dúvidas, como, recentemente, aconteceu com  a convergência das pensões? Pode haver atitudes criticáveis do Presidente Cavaco Silva, mas não sejamos assim tão arrasadores, pois é um dever respeitarmos quem está legitimamente no poder, seja de que partido for.
É evidente que as críticas, as greves, as manifestações e outras formas de protesto são legítimas dentro da ordem democrática e sem violência! Pois todos nós sabemos que vivemos um período difícil e que este Governo continua a massacrar aqueles que sempre pagaram os seus impostos não sendo os principais responsáveis. Por exemplo, a retroatividade nos cálculos das pensões; obrigar docentes, contratados há dezenas de anos e que já foram avaliados várias vezes, a sujeitarem-se à prova de ingresso (serviram o ensino, por infelicidade não entraram nos quadros, sujeitaram-se a percorrer o país, gastaram quase todas as suas economias…); reduzir constantemente os salários dos portugueses; limitar certos cuidados de saúde, são medidas que não nos agradam e que causam uma certa revolta, mas deixemos os órgãos próprios atuar e só, na altura própria, o povo julgará as ações dos partidos do Governo e do Presidente da República de acordo com os resultados da sua governação. Por muito respeito que haja pelo Dr. Mário Soares, não é ele que define os destinos do nosso país.




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