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Outro Ponto de Vista…

De modo preambular, uma declaração de interesses: no tempo devido, nunca votei nem apoiei o General Ramalho Eanes. Hoje, passadas algumas décadas, o meu público lamento… Num tempo em que o maior deficit se situa no âmbito dos comportamentos ético-morais, designadamente dos servidores da causa pública, o comportamento exemplar do Senhor General funciona como lenitivo de que, afinal, nem todos são ou têm de ser iguais.

Acácio de Brito
29 Nov 2013

Comparemos dois espaços:
A sala onde se realizou o encontro, esse sim “da brigada do reumático”, dos defensores da “constituição”, não se sabe qual delas, se a que foi inicialmente votada depois do cerco parlamentar dos democratas da “betoneira”, ou aquela que muitos deles propunham de democracia direta, tipo chinês, norte-coreano, soviético ou mesmo cubano!
Ou, um outro espaço, em sessão promovida por um grupo de amigos, realizada a 25 de novembro, data que significou, em 1975, o início do regresso a uma normalidade democrática, sessão essa que pretendeu homenagear o Senhor General Ramalho Eanes pelo seu comportamento ético, político e social irrepreensíveis e que, pela sua ação, deve funcionar como exemplo de verdadeiro servidor público.
Em ambos os espaços encontramos dois anteriores presidentes.
Na que estava o iluminado, segundo creio com o alto patrocínio da sua fundação – aliás, seria interessante saber-se em tempo de crise, e não só, quanto custa ao erário público esse luxo –, o conjunto de personalidades presentes era deveras interessante: democratas do conselho da revolução, os arautos de novos mundos que propunham amanhãs onde o sol cantaria luminosidades nas estepes siberianas, e uns tantos rapazes que de trabalho aos outros apenas sabem os direitos.
Na sala de Congressos da FIL, gente anónima mas distinta, que pretendeu homenagear um General que nos honra.
O seu exemplo de serviço, muito embora no tempo de então não tenha concordado com algumas das suas posições, levam-me hoje a perceber o sentido da sua ação.
Fiel aos princípios de verdade, deve funcionar como um exemplo num tempo de tanto relativismo e ceticismo.
Afinal os políticos não são, como de sempre sabemos, todos iguais. Uns utilizam os meios do Estado como manjedoura onde se deliciam como os amigos, outros servem-no na velha tradição do Militar que à sua Pátria até a vida lhe dá.
O contraste entre o que se passou ilustra bem algumas das razões do nosso atual estado de coisas.
Um propõe-nos coisa nenhuma, um outro, pela sua de probidade, seriedade e vontade de servir, dá-nos, pelo seu exemplo, o alento necessário para as dificuldades que o quotidiano nos obriga a suprir.
Pelo exemplo de vida, obrigado Senhor General Ramalho Eanes!




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