Fotografia:
Confusão nos programas de Física do ensino básico e secundário

A Física é uma disciplina fundamental para a entrada no ensino superior (e no contexto profissional), nomeadamente nas Engenharias, Ciências Exactas e da Natureza, Medicina, Biologia, Geologia, entre outros.Assim, os programas de Física do Ensino Básico e Secundário (B+S) deveriam conter os princípios elementares da Física clássica e suas aplicações em casos concretos da vida real, como de resto acontece em muitos países do Mundo. Como em qualquer outra Ciência, há uma ordem pela qual as matérias têm de ser ensinadas para melhor serem «assimiladas» pelos alunos. Há que começar pela Estática, seguindo-se a Dinâmica, ambas em duas dimensões e mais tarde em três dimensões. Só depois se deve passar a elementos de Hidrostática, Eletrostática, Magneto-Estática, Eletricidade e Magnetismo, Termodinâmica, pondo sempre em destaque as Leis fundamentais e suas aplicações a problemas simples da vida prática.

Júlio Barreiros Martins
29 Nov 2013

Ora veja-se o que acontece nos programas de Física no Ensino B+S em Portugal: Em primeiro lugar, aparecem acoplados à Química, que é uma disciplina independente da Física e é assim considerada em praticamente todo o Mundo. Depois, para ver a confusão que reina, basta ler os títulos dos vários capítulos dos manuais do 10.º ao 12.º anos:
– Das Fontes de Energia ao Utilizador: 1) Situação energética Mundial e degradação da Energia; 2) Conservação de Energia
– Do Sol ao Aquecimento. Transferência de energia: 1) Energia do Sol para a Terra; 2) Energia no Aquecimento/Arrefecimento de sistemas
– Energia em Movimento. O Trabalho e a Energia Mecânica: 1) Transferência de Energia como trabalho; 2) Energia Cinética; 3) Energia Potencial; 4) Energia Mecânica e sua conservação.
Repare-se que toda esta matéria é de «generalidades» divertidas do tipo da que é publicada na revista “Science et Vie”. Nada tem a ver com o que aluno ao entrar no ensino superior ou na vida profissional é confrontado. Nada tem a ver com que está em qualquer livro estrangeiro de “College Physics”.
Finalmente, para completar a tortura inútil do aluno, vêm os exames charadísticos do Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE) do Ministério da Educação e Ciência. Até quando se vai manter este ensino anedótico exigido pelo GAVE? Porque é que o atual Ministro, cientista brilhante, que certamente sente bem tudo o que acima dizemos, não tomou já medidas radicais a este respeito?




Notícias relacionadas


Scroll Up