Fotografia:
Professores: uma classe a “abater”?

Acultura de um povo também se mede (também ou… sobretudo?) pela forma como são tratados os seus professores. Porque sem os professores as sociedades vegetam, ficam completamente estagnadas, perdem os valores de referência (históricos, linguísticos, culturais…) e aumentam as desigualdades – já que deixa de haver “mobilidade social”, feita quase sempre com base na evolução formativa dos cidadãos. Creio que, hoje em dia, são já poucos os que duvidam da importância dos professores para a evolução da sociedade.

Victor Blanco de Vasconcellos
28 Nov 2013

E no caso concreto do nosso país, essa importância é redobrada, porquanto é imenso o número de pais que se vem alheando (quase completamente) da educação dos filhos – as mais das vezes por motivos “justificados”: as grandes responsabilidades no emprego, o progressivo aumento do número de horas de trabalho, as faturas a pagar com cada vez menos dinheiro na carteira, o cansaço do dia-a-dia, as alterações contínuas nos “curricula” dos filhos, facto que os impede de os ajudarem nos chamados “trabalhos de casa” (que eram tidos como “tempos de diálogo e de orientação educativa” familiar), etc.
Nos tempos que correm, é a Escola – institucionalmente considerada, porque em rigor deveria dizer-se: são os professores… – quem educa as crianças e os jovens. Porque os pais raramente têm tempo (e disposição…) para isso. Sem a Escola – sem os professores… –, as crianças e os jovens ficam por aí perdidos, sem rumo moral e sem valores de cidadania, para além de ficarem amputados das bases culturais que podem levá-los a “subirem na vida” e, dessa forma, a poderem usufruir da já referida “mobilidade social”.
É, por isso, assustadoramente injusta (e perigosa) a forma como os portugueses olham para os professores e, pior do que isso, a forma como os tratam. Os portugueses no seu todo – e os nossos governantes em particular!
Não raro ainda se ouve dizer (mesmo da boca de pessoas que, provindo de famílias pobres e pouco cultas, “subiram na vida” por causa dos estudos que lhes foram proporcionados…), não raro se ouve dizer, afirmava, que “há doutores a mais”, que “agora todos querem ser doutores” e outras expressões semelhantes.
Ora, tenho para mim que todos devem ter possibilidades de serem doutores, provenham eles de famílias de elevados recursos económicos e culturais, ou tenham as suas raízes em famílias de parcas economias e de ainda mais parcas referências culturais. No caso destes últimos, é a Escola – melhor: são os professores… – quem lhes permite que, sendo filhos de mecânicos, de pequenos lavradores, de simples operários, até de desempregados, etc., possam chegar a ser médicos, engenheiros, enfermeiros, professores, ténicos qualificados…
Sem a escola, sem os professores, Portugal continuaria a ser hoje o que era há um século: um país com mais de 75 por cento de analfabetos!!! Um país onde ser filho de pobre levava necessariamente a ser pai e avô e bisavô de pobres!
Quando é que os portugueses – e em particular os governos – tomam isto em consideração? Quando é que olham para os professores como Educadores que merecem ser amados, respeitados e valorizados?




Notícias relacionadas


Scroll Up