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Duros de ouvido

O Parlamento aprovou, na passada terça-feira, a proposta de Orçamento do Estado para 2014. O documento mereceu o voto contra de todas as bancadas da oposição, coisa que não será de estranhar, dado que a política em Portugal, infelizmente, se vai fazendo cada vez mais assim: vazia de ideias e de ideais, apática nas sugestões, voltada para o “umbigo partidário”, contrária às reais necessidades do povo… e isto tanto vale para quem governa como para quem está na oposição. E, no que toca a quem está à frente dos destinos do país, somos obrigados a reconhecer que estes são mesmo duros de ouvido, de nada valendo os alertas dos responsáveis pelas várias instituições e organizações ligadas à Igreja, e não só, que todos os dias vão chamando a atenção para a pobreza crescente no nosso país.

Damião Pereira
28 Nov 2013

Neste particular, não posso deixar passar ao lado as medidas propostas para 2014 e acabadas de aprovar por este Governo, que se revelam demasiadamente preocupantes para quem, todos os dias, se vê confrontado com o aumento do número de pessoas que procura, no seio das organizações católicas, uma refeição, uma peça de roupa, uma ajuda para pagar as contas da luz, da água, do gás, um abrigo, um desabafo…
Não tenho dúvidas de que o Orçamento do Estado para o próximo ano – feito apenas com base nos números e em metas a alcançar – só irá trazer mais sacrifícios e mais dificuldades para as famílias, aumentando a injustiça e pondo em risco acrescido a já notória perda de valores sociais, a par do empobrecimento e das desigualdades.
Ao não levar em conta todos os alertas lançados por quem, diariamente, convive com o aumento das necessidades de muitos portugueses, este governo só pode, de facto, ser duro de ouvido. Posição que se agrava quando ouvimos dizer, pela boca da própria ministra das Finanças – que tanto fala das políticas desadequadas do passado –, que Portugal vai precisar de um processo de ajustamento que «vai além das condições do programa». Não que seja altura de desistir. Perguntar-nos-íamos de que valeu todo este esforço feito ao longo dos últimos dois anos. Mas estamos certos de que não pode ser a qualquer custo.
Vale a pena lembrar aqui o que o patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, disse sobre o Orçamento do Estado para 2014: que as medidas se limitem ao «estritamente» necessário para «que não sejam sempre aqueles que estão mais indefesos que tenham de pagar faturas que são de todos».
Mas o tempo que vivemos é também tempo de esperança, e para tal nos alerta o nosso Arcebispo D. Jorge Ortiga, que na sua mensagem para o Advento nos faz ver que «o maior perigo que a atual crise nos pode causar, mais do que o empobrecimento e o medo, é destruir-nos a esperança. Sem fé não há esperança! E sem esperança, o Advento será somente mais um tempo de nevoeiro sem rumo no caminho».




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