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A obrigação natural das relações humanas (I)

Nenhuma pessoa é uma ilha isolada. Não podemos viver inteiramente sós. Uma parte daquilo que possuímos vem dos outros. Somos criaturas sociáveis ou gregárias por natureza. A satisfação do nosso impulso social é fundamental e indispensável para o nosso equilíbrio emocional e para a nossa realização pessoal. “Nascemos para conviver com os nossos semelhantes e para nos associarmos à raça humana” – escreveu Cícero. Tanto em família como em sociedade, somos parte de um grupo. As relações humanas são uma característica hereditária do homem. O grande e universal mandamento de Deus: “Amai-vos uns aos outros” pressupõe esta necessidade de sã convivência humana que exige o trabalho e a dedicação em favor da comunidade.

Artur Gonçalves Fernandes
28 Nov 2013

“Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós” – afirmou Antoine De Sant-Exupéry. Não podemos estar à espera que o nosso vizinho inicie essa tarefa obrigacional. Devemos todos começar, por iniciativa nossa, a contribuir para que os outros se ajudem a eles mesmos e ao próximo. Este é um dever inalienável. Infelizmente, as comunidades hodiernas, apesar da globalização que as une continuamente, espelham uma situação paradoxal: vivem cada vez mais distantes na convivência sadia, na entreajuda e na solidariedade, imperando o ódio, a opressão, a conflitualidade, a inveja, a podridão moral e a exploração a todos níveis. Basta observar atentamente certos programas televisivos e na internet, cujos promotores e difusores parecem ufanos em relevar os seus aspetos negativos, a pornografia, as cenas chocantes e quejandos, apimentadas com as piadas maliciosas. Tudo isto contribui para agravar a situação degradante em que mergulharam as comunidades. E há tantas pessoas que, influenciadas por estes fenómenos comunicativos, adquirem comportamentos anti-sociais, desumanizando a sua outrora cândida personalidade.
Não são os haveres ou coisas materiais que mais interessam. O fator mais importante da vida está nas pessoas de quem se gosta, nos seus familiares, nos vizinhos, nos conhecidos, nos amigos, nos desconhecidos e até nos inimigos. Hoje em dia, poucas vezes se ouve alguém falar do que é mais importante na sua vida – a família. Os momentos mais felizes da nossa vida são os passados em casa junto da família. Aquilo de que o mundo mais precisa é, sem dúvida, da compreensão mútua entre as pessoas e as nações. A família continua a ser a base da sociedade humana. Sem famílias harmoniosas não haverá comunidades sãs, pacíficas e humanamente progressivas. A sociedade é uma extensão do indivíduo e, sobretudo, da família. O lar é o alicerce onde a vida começa e termina. Conforme for o lar assim será a nação e o mundo. O lar é realmente o responsável pela maneira como o mundo gira e se move socialmente. A vida em sociedade deve implicar benefícios mútuos. Cada pessoa é o denominador comum da sociedade. A democracia deu-nos a liberdade mas não conseguiu descobrir e implementar totalmente as verdadeiras leis da nossa vida individual e coletiva. A autêntica reforma social consiste em erguer o género de sociedade de que o homem precisa. Os antigos povos orientais eram muito sabedores nesta área da vida comunitária. Chamaram a atenção para o facto dos laços de família serem uma miniatura do universo. Se alguém tiver a inspiração de fazer uma boa reforma ou o desejo de ensinar uma doutrina ou ideo-logia útil aos seus semelhantes deve começar por provar o valor dos seus conceitos, enriquecendo e tornando mais nobre a sua vida em família. Só depois deverá procurar um campo de atividade mais vasto. Cada um de nós é o ponto de partida. Nós e a nossa família é que fazemos a aldeia, a cidade e o Estado. Devemos refletir que somos nós que erguemos as sociedades, mais ou menos organizadas, em que as relações entre as pessoas e as classes sociais são determinantes para o bem-estar comum.




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