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Que se lixe o partido

Os portugueses acreditam mais no governo do que nos partidos políticos. Assim disse uma sondagem recente dirigida para esta avaliação. No entender dos inquiridos o atual governo esfola-se e esfalfa-se para pagar dívidas que não cometeu, enquanto os partidos, não, não querem ajudar. Este esforço do governo é entendido; o povo não entende quem não quer ajudar; julgam-nos fechados à cooperação que é um ato de salvação nacional. O governo está a perder as próximas eleição legislativas; para mim isto significa que a pátria, para ele, está em primeiro lugar e só depois vem o interesse partidário.

Paulo Fafe
25 Nov 2013

Lembro que, quando Passos Coelho disse, “que se lixem as eleições” houve quem quisesse ver nisto um desprezo pela democracia; outros procuraram interpretações dignas de mentes conspirativas, senão mesmo fabuladoras. Há sempre quem veja algo por trás de biombos imaginários. É o eterno contraste entre a sombra e a figura. Os portugueses presentemente vão confrontar-se entre os sacrifícios que suportam e a finalidade desses sacrifícios. A razoabilidade dar-lhes-á consciência de voto. Já não irão em cantigas, muito menos em cantigas cantadas em dissonância com o interesse nacional; as promessas vãs provocam descrédito, distanciamento e princípio de aversão. É com este triplo sentimento que a grande maioria de nós está a encarar os partidos. Na atual crise, por exemplo, só há o governo e os partidos que o apoiam, a perder popularidade, mas a razoabilidade diz que esta perda significa livrar Portugal da soberania financeira estrangeira; os outros partidos louvam com entusiasmo as derrotas do governo, como se as derrotas do governo não fossem derrotas de Portugal; procuram o lado negro das coisas com a delícia do caçador furtivo e não querem ouvir falar em recuperações económicas, em exportações conseguidas, em saída da recessão. Sabemos que têm medo que isto venha a constituir-se, em 2015, uma forte arma política. Por isso, o sucesso do governo é o seu insucesso. Os risos do governo são as suas lágrimas. Os sindicatos também têm azia  para tudo o que seja melhoria, mesmo que apenas expressas em débeis sinais. Os políticos  continuam a teimar nas mesmas prática de dantes: denegrir quem governa para capitalizar o descontentamento. Não percebem que a democracia está a perder o eixo partidário/sindical e a deslocar-se para o centro dos interesses nacionais. Os independentes já perceberam. E parece impossível que os partidos não vejam isto com clarividência, principalmente o PS! Por isso é que não descola nas sondagens. As propostas apresentadas pelo PS não podem constituírem-se como um dogma, assim como o governo não pode dizer, “daqui não saio daqui ninguém me tira”. Negociar não é, nem chantagear, nem cristalizar. A matriz do povo português é de harmonia e paz. Procurem-na se não quiserem ir distanciando-se dele como barco que partiu a amarra. O sr. José Seguro, se pretende ganhar a estima e a consideração dos portugueses, deve dizer, “quese lixe o partido” como Passos Coelho disse um dia “que se lixem as eleições. Meta o partido na gaveta como um dia Mário Soares fez ao socialismo, mesmo quando a Constituição era mais socialista do que é hoje.




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