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Inquinação dos Centros de Saúde

Provam os anais da história humana que os antigos povos diziam que o aparecimento da doença era a manifestação da desarmonia existente na pessoa entre o seu pensamento (os seus desejos) e a realidade envolvente, e que, vejam só, mesmo de lábios fechados, o corpo grita, através dos seus órgãos afetados, esse protesto. Que sabemos nós do humano? Caminhamos entre sombras e tateamos sobre o que é saúde, quais os fatores que se podem considerar “opressores” e que podem explicar a sua perda. Por vezes, alegamos a falta de tempo para identificar as suas origens, o que é, talvez, uma forma de má gestão da nossa ocupação funcional.

Albino Gonçalves
25 Nov 2013

Estamos perante um fenómeno economicista, que substituiu os princípios éticos, os deveres, os direitos e a responsabilidade institucional de garantir a todos, sem exceção, o bem-estar, a dignidade, o conforto pessoal, uma vivência saudável e um curso de vida estável. Num campo tão vasto como é este da saúde pública como um direito constitucional dos cidadãos, e consequentemente o da educação para a saúde preventiva ou curativa, somos confrontados com uma realidade tão complexa que só parece ter um cenário positivo para o governo – pois é sobejamente conhecida a deficiência estrutural e organizacional dos cuidados primários e diferenciados que paira nas instituições afetas ao Serviço Nacional de Saúde.
Na cidade de Braga, ao contrário das opiniões de alguns comissários políticos, há um elevado grau de insatisfação dos utentes quando recorrem aos Centros de Saúde. Acresce ainda o facto de haver muitos milhares de pessoas que não têm médico de Saúde Familiar e, ainda, a obsoleta rede logística instalada nos seus imóveis, a falta de formação e de informação nalguns setores dos recursos humanos, bem como a desorientação de medidas institucionais como ferramenta de trabalho à prestação de serviços de aconselhamento ou de tramitação para um adequado tratamento às solicitações dos utentes. “Não sei…”, é a fraseologia que mais frequentemente se ouve dos funcionários…
Às vezes, o “itinerário” dentro de um Centro de Saúde para colmatar as dificuldades ou atingir os objetivos é um calvário, um vazio e uma tristeza. A componente indispensável da sinalética e do apoio está quase permanentemente ausente e, apesar da existência do “livro amarelo”, sabemos bem como funcionam as respostas às reclamações…
Os Centros de Saúde em Braga devem inovar no sistema relacional com os utentes e focarem essencialmente a sua atenção naqueles que não têm médico de Saúde Familiar. Devem ainda: espelhar melhor preparação profissional dos seus recursos humanos e criar um âmbito mais alargado de atendimento, contribuindo para o descongestionamento de acessibilidade ao Serviço de Urgência hospitalar; estruturar um melhor apoio às dificuldades dos utentes; fazer uma triagem séria e responsável às reclamações ou sugestões expostas pelas pessoas; e demonstrar maior disponibilidade para mudar com urgência esta imagem inquinada que têm junto dos seus utentes.




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