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A ver empregos por um canudo

A inovação, criatividade, empreendedorismo, criação de postos de trabalho e o crescimento económico estão na ordem do dia para qualquer articulista que pretenda abordar o tema da crise que nos afeta, a qual nos trouxe falências e desemprego, deixando a nossa economia de rastos. No entanto, é a falta de emprego um dos factores mais preocupantes na sociedade portuguesa, uma vez que priva as pessoas do vínculo laboral à produtividade e, por conseguinte, ao próprio rendimento para a sua subsistência. É por isso que é incompreensível que o ténue crescimento do emprego, como sucedeu no final do terceiro trimestre deste ano, faça rejubilar o Governo.

Narciso Mendes
25 Nov 2013

De facto, esse crescimento foi sol de pouca dura, pois, com a chegada das contas do Outono, constatou-se uma baixa face ao número de postos de trabalho destruídos durante um ano, que é três vezes superior ao de pessoas que deixou o desemprego, emigrando ou deixando de procurar trabalho, razão pela qual deu para perceber que o optimismo do executivo resultou apenas de uma situação sazonal.
 Aliás, tem sido pela falta de vontade política e de consenso entre os partidos do arco governativo em não levarem por diante as reformas que levem o país a ser mais atractivo ao investimento que continuamos com a pecha da morosa justiça nos nossos tribunais, e das complexas teias burocráticas e de corrupção, as quais continuam a fazer vítimas entre quem pretenda investir em Portugal, produzir e exportar. Daí o desemprego real rondar
actualmente o histórico número de 1,4 milhões de pessoas, contas bem feitas.
Entretanto, os anos vão passando sem que  este Governo consiga elevar os índices de emprego e, a continuar assim, tornar-se-á  ainda naquele que menos fez por ele, até hoje. Continuando um tanto ou quanto fiado na criatividade, inovação e empreendedorismo, esquece–se de que, embora sendo genial inventar novidades, será de uma boa parte desta trilogia que se continuarão a eclipsar, inevitavelmente, muitos postos de trabalho. Veja-se o caso da criação da primeira impressora 3D made in Portugal, criada por dois jovens engenheiros formados na Universidade de Aveiro e já apresentada no 3D PrintShow, em Londres, em 9 de Novembro último – a qual imprime, nada mais nada menos, os objectos que se pretendam adquirir. Basta que, para o efeito, se faça o “download” no computador do modelo pretendido e descarregá-lo para o “soft-ware” da máquina e imprimir, com a vantagem de se poder reproduzir por ela própria, sem mais nem menos.
É esta mesma tecnologia que será, brevemente, implementada pela marca Rolls Royce para produzir componentes para os motores dos seus automóveis e dos aviões, com repercussões negativas para o mundo laboral, que existe há já algum tempo nos EUA, a qual está a gerar preocupação acrescida com a impressão de armas, o que põe em risco não só a segurança daquele país como o resto do mundo.
Pensando bem, estas maravilhas da tecnologia digital, ao evoluírem para o aperfeiçoamento e autonomia, embora nos tragam comodidade, bem-estar e conforto, mas com reduzida mão de obra humana, fazem com que os governos tenham cada vez mais dificuldades em conseguir fazer gerar ou manter os empregos tradicionais. Isto se não criarem urgentemente as condições para que os investidores os promovam enquanto é tempo. Porque, de resto, nem os empregos que o poder político criou para servir o Estado, o Governo soube manter – a não ser, obviamente, os das suas clientelas partidárias. Ou necessitaremos porventura de outro exemplo mais elucidativo do que o dos 230 deputados da A.R. , que têm passado incólumes neste vendaval de desemprego?
Portanto, só resta aos portugueses à espera de trabalho apostarem na política, encostados aos partidos, ou emigrarem! Caso contrário, só lhes restará subirem ao alto do Bom Jesus do Monte para tentarem conseguir ver, além da bonita cidade de Braga, os seus empregos por um canudo.




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