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Escuta Zé Ninguém

Obra de Wolhelm Reich escritor e psicanalista austríaco. Com Freud rompeu por ter pretendido conjugar o pensamento deste com o de Marx. Foi “o mais radical e dramático ex-poente da ‘esquerda freudiana’” ou “marxismo freudiano”. Reflectiu–se na sua Vida e Obra. Foi preso nos EU e afastado, por cabala internacional, da carreira médica. Entre as obras deixou “Escuta Zé Ninguém”, charla com o homem comum, mostrando o quanto piorou a sua vida desde Criança ao perder a “força vital” desta, desumanizando-se. Não dá “receitas existenciais”, nem quer “convencer, atrair ou conquistar ninguém”. Só intenta, com base na experiência, mostrar a degradação que se dá no Homem e na Sociedade.

Gonçalo dos Reis Torgal
24 Nov 2013

É protesto contra os desígnios secretos e ignorados de uma praga humana que “bem entrincheirada e apoiada, vai capciosamente destruindo o [homem] honesto e trabalhador”. Este sentimento onde enraíza a obra  transfiro-o eu para o Zé Ninguém que nos governa. E faço-o, falando – mais uma vez a contra-gosto de quem se governa ou vive com clubite a gerência da Polis – “humilde, baixo e rudo”, como quando a Pátria também mergulhava, em “austera apagada e vil tristeza” decorrente da “cobiça e da rudeza” de “gente surda e endurecida”, sem experiência, engenho ou estudo “que do oportuno tempo se aproveita”. Experiência nenhuma. Basta olhar ao como de boy da Jota chegou CPP o Governo. Um e mail com o currículo de CPP termina assim: [Isto é] “a prova de que é possível chegar aos 47 anos com a experiência social de um adolescente. É esta amostra de homem que governa este País!
Mas não só em CPP falta experiência e abunda má-fé. A maioria são “Rapazolas”. PP é o troca-tintas agarotado do irrevogável e inultrapassável; a Ministra das Finanças mente sem pudor; Machete comete gafes agarotadas; a Ministra da Justiça brinca ao rapa com o país; o Crato julga que os Professores são os futebóis de caderneta da meninice que perdura. Mas o cúmulo é – com vénia a Maria de Lourdes dos Anjos – “um tal Rosalino, quase careca, mal-encarado, mentiroso e desonesto quanto baste, tentando transformar em salteadores os servidores desse Estado que já não é nosso, tentando guerras intestinas entre velhos e novos, desempregados e trabalhadores, públicos e privados”.
E não esquecer o histérico jotinha do CDS, que na Assembleia apoia as diatribes governativas. Um de João Oliveira. É, com raiva a crianças, doentes e “velhos”, a “canalhocracia” de que falava D. Pedro V.
Escuta, Zé Ninguém (cabulo de WR) já sabemos, “com horror, que assassinas os que te apoiaram porque chegado ao poder como ‘representante do Povo’ o usaste mal e o transformaste em algo más cruel que a tirania anterior”. Transformaste-te num “sádico ao lado das classes dominantes”, aliado a “politiqueiros e oportunistas” com “desastrosa paixão pelo poder [um] perigo para a [nossa] segurança e proteção dos nossos filhos”. Fazes do POVO “adultos mutilados, autómatas e moralmente abatidos (…) porque preferiste o Estado à Justiça, a mentira à verdade, à guerra [pelo dinheiro] à vida”. Mataste a esperança que nos restava. Fomos confiadamente enganados. Tu, Zé Ninguém, aprendeste nos serôdios estudos a lição de Mazarino a Colbert. Usa–la com rancor e êxito. “Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre quem devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!” Destruíste-a. És fiel seguidor da doutrina contra a qual se rebela o Santo Padre Francisco – endeusas o dinheiro. Para o Amor e Humanidade és cego.
Citei demais. Mas esconder seria egoísmo e avareza. Quis acordar os portugueses da sobeja razão dos Deolinda: “Agora NÃO que joga o Benfica. Vai lá tu que eu vou lá ter!”.
É tempo do “Agora sim, damos a volta a isto! Vamos em frente, ninguém nos vai parar.”




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