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Um olhar em redor

É do domínio público este desaforo: o staff do secretário de Estado da Cultura comporta três adjuntos; sete técnicos especialistas; duas secretárias pessoais (sendo pessoais devem trabalhar à parte, desligadas do conjunto); um chefe de gabinete; dez técnicos administrativos; três técnicos auxiliares (quem apoia estes?) e três motoristas. Juntou agora, a esta variada mas ainda não completa equipa (o que era notório, diga-se de passagem) um novo elemento, um consultor de comunicação que pertencia já nessa qualidade (tem muitas outras, ao que dizem) ao seu partido, o PSD e, assim, deixou de ser pago por este e passou a receber pelo Estado. Tem apenas 24 anos de idade este “boy” genuíno e tão promissor, com largo futuro à sua frente, não duvidemos.

Joaquim Serafim Rodrigues
23 Nov 2013

Por ocasião de um Congresso realizado há uns cinco ou seis anos, a União dos Editores Portugueses concluiu que a maioria dos portugueses não lê um livro por ano e que os preços dos livros eram em média superiores aos praticados na Europa comunitária. Assim, neste domínio como em muitos outros, Portugal passou a ser encarado lá fora como um exemplo a não seguir o que, confesso, me deixa envergonhado, sentimento este que parece não fazer parte dos princípios, ou preceitos morais, de todos aqueles que nos governam!
Ninguém nasce ensinado, é na escola que aprendemos a estudar, a ser homens de amanhã. Todavia, perante a situação vivida actualmente no sector da Cultura, com centenas de escolas primárias encerradas, os professores enxovalhados, desautorizados, centenas, senão milhares sem poderem exercer a sua nobre missão por não terem trabalho, qual o respeito devido a quem originou este colapso, este verdadeiro suicídio cultural, educacional em suma?
O Interior vai morrendo, desprezado, desertificado a população jovem exila-se, foge para o litoral, para os grandes centros urbanos, na tentativa quase sempre vã de encontrarem um modo de vida que lhe permita ao menos sobreviver, abandonando, constrangidos, os seus familiares já idosos, entregues à sua sorte, à sua solidão. Ou, podendo, expatria-se, moída de saudades, procurando lá fora aquilo que a Pátria austera lhes nega – uma existência digna, mesmo em relação àqueles que conseguiram obter um curso, uma especialização científica ou técnica, uma arte enfim. E não são poucos aqueles que são compelidos a tal, bastando referir, por exemplo, médicos, enfermeiros, professores inclusive!
Tarefa ingente espera, pois, este novo consultor versado em comunicação (é o trigésimo membro desta considerável equipa e vai auferir, segundo li, a módica quantia de três mil e poucos euros por mês), sendo provavelmente o primeiro a conseguir aquilo que nenhum dos outros se mostrou capaz de fazer antes dele vir engrossar, atempadamente, o número daqueles que já lá estavam, somente vinte e nove. São agora trinta, nada melhor do que contas redondas, visto que as fracções não contam.
Conseguindo este, portanto, estancar, dentro da sua esfera de acção, claro, tão inusitado êxodo a que voltam a estar expostos tantos compatriotas nossos e, se não for pedir muito, induzir também os portugueses a lerem ao menos um livro por ano, nada a opor contra a sua contratação.
Agora, prezado leitor, muito a sério: a bipartidarização entre PS e PSD (a actual coligação não passa de um desvio em relação à norma) serve essencialmente para satisfazer os seus “boys” com excelentes “jobs”, enquanto a Justiça que temos sofre de cegueira, porquanto os corruptos crescem, os pobres vão ficando mais pobres, ao mesmo tempo que surgiram ultimamente mais de dez novos milionários (aqui entram apenas aqueles que usufruem de uma fortuna nunca inferior a dez milhões de euros!). Alguém quis apurar como foi isso possível em tempos de austeridade extrema?.
Não os maço mais por hoje.




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