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Vila Verde rentabiliza recursos naturais há muito desvalorizados

O nosso país está repleto de recursos naturais subaproveitados e que poderiam ser, já há muito tempo, geradores de riqueza que tanta falta faz em todos os tempos, mas, sobretudo, atualmente. São mananciais postos à disposição da humanidade, alguns deles desconhecidos por muitos dos nossos políticos, situados em locais marcados pela agudeza dos nossos antepassados que, inteligentemente, sabiam aproveitar os seus possíveis recursos para a sua subsistência, não olhando à rudeza dos caminhos, nem aos lucros desenfreados, sendo criativos e atentos às oportunidades que a natureza lhes oferecia.

Salvador de Sousa
22 Nov 2013

Falo, por exemplo, dos moinhos espalhados, sobretudo no Norte deste nosso país, mas também da extração mineira, das águas minerais… Quantos locais termais subsistem, “in hoc tempore”, fruto dos nossos ancestrais que os exploraram, muitas vezes, com imensa dificuldade, sendo alguns, atualmente, motivo de atração turística, além dos benefícios para a saúde. “In illo tempore”, com certeza, seriam sítios desoladores e de difícil acesso.
É preciso haver políticas de gestão sustentáveis, indo ao encontro dessa imensidão de recursos: geológicos (minérios, energia geotérmica, águas termais…); hídricos (energia hidroelétrica, vias fluviais, desportos aquáticos, rega, abastecimento às populações…); biológicos (biodiversidade, energia biomassa, pesca, caça…); climáticos (energia – fotovoltaica, eólica e solar) e tantos outros que podem aumentar a nossa rentabilidade económica, mormente tantas paisagens e tantos outros motivos naturais de grande interesse.
Portugal tem aproveitado muitos dos recursos referidos, mas ainda está muito aquém. Por que razão há limites e tanta burocracia em determinados contratos de energias renováveis? Por que razão a EDP impõe limites de produção de energia (por exemplo) fotovoltaica nos contratos que faz? Não é de aproveitar ao máximo uma produção energética que não fere o ambiente? Felizmente, têm surgido grandes ideias, mesmo a nível das nossas belezas paisagísticas, criando os meios necessários para poderem mostrar a sua pulcritude, o sossego dos seus espaços e o bocejo da pureza da sua brisa.
A Câmara Municipal de Vila Verde, a ATAHCA (Associação de Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave) e os proprietários dos moinhos na região do Vade (António Barbosa, Eng. Carlos Cação e José Cação) há vários anos que lutam para que o poder político legisle e regulamente a exploração destes recursos (moinhos, azenhas, açudes e outros engenhos hídricos existentes). um emblemático património que, além de ser turístico, vai produzir energia limpa e renovável.
A ATAHCA tem dado um grande exemplo com a recuperação de tanto património na sua zona abrangente, intervindo também noutras zonas com variadas atividades. Damos como modelo desse trabalho, as “Aldeias da Saudade” situadas e envolvidas por paisagens ímpares do nosso Minho ao longo das margens dos rios Homem, Cávado e Ave, criando alojamentos no “coração” dessas aldeias impregnadas de beleza. Não podemos esquecer todos os parques de campismo, realçando-se o da Cerdeira (Campo do Gerês), da Ermida (Gerês) e o de Aboim da Nóbrega. Neste último, houve a inauguração, no dia 25 de outubro do corrente ano, do sistema de microgeração – fotovoltaica, microeólica e micro-hídrica no âmbito do projeto de cooperação interterritorial em parceria com a Câmara Municipal de Vila Verde e Junta de Freguesia de Aboim da Nóbrega. Tudo isto, fruto de um desenvolvimento sustentado, tendo em vista os recursos endógenos da região e onde “o verde é mais verde e onde se pode encontrar o equilíbrio entre o corpo e a mente”.
Os proprietários dos moinhos do rio Vade, cerca de 30, estão a aguardar a regulamentação para a produção e venda da energia hídrica onde também há um grande empenhamento do Presidente da Câmara de Vila Verde, Dr. António Vilela; Eng. Altino Bessa, Deputado na Assembleia da República e Vereador da Câmara de Braga e Eng. Travessa de Matos, conseguindo motivar o poder atual para a criação de legislação que muito irá contribuir para aumentar a riqueza energética do nosso país, podendo cada moinho, no seu máximo, produzir 50 KW o que poderá render “grosso modo” €2.500,00 por mês. A água sempre correu nesses locais, o país precisa de riqueza. Pergunto: Só agora? Por que razão os próprios Governos, ao longo do tempo, não incentivaram para esses aproveitamentos? Apesar disso, é melhor tarde do que nunca.




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