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A Draculândia

Tem-se escrito bastante, ultimamente, dos desejos deste Governo de coligação em se fazer a Reforma do Estado. Há mais de vinte anos que vários políticos no poder ou na oposição, de quando em vez atiram para a atmosfera – via televisões – da imperiosa necessidade do país fazer, elaborar, ensaiar talvez a reforma apregoada. Analisando friamente o desejo, porque não a publicidade(?) da Reforma, é muito possível que estes políticos sintam a sua necessidade, mas não têm vontade de lhe pegar. Têm talvez até medo desse afazer, pois a ser feita é terminar em perdas de regalias, em perda de poderem pertencer à Draculândia do poder, dos altos benefícios materiais e da perda de vassalagens que tantos prestam, porque especialistas useiros e vezeiros nessa forma de estar na vida.

Artur Soares
22 Nov 2013

Nunca me apercebi nas praças, nas vielas ou nas esquinas ensebadas de qualquer local, de grupos ou de conversas onde a Reforma do Estado estivesse a ser contestada ou minimizada. Os portugueses sempre aceitaram as mudanças e as reformas, o progresso e a ordem, a paz e a solidariedade, sem que tudo isto prejudique ninguém. Todavia temem a pobreza, as revoltas ou a agitação, mas existe o grande defeito de gostar de sermos conduzidos. Eis o grande defeito de Portugal!
Desse modo, não admira pois que há dias atrás tenha surgido o Documento Portas que fala na Reforma do Estado, documento que mais parece para ser badalado, uma vez que certos analistas e conhecedores da matéria têm dúvidas se este Governo quer a Reforma, ou se sabe como deve ser a Reforma para a fazer.
Não chega, como bem se entende, acabar com certos “pesos” do Estado. Antes disso é necessário saber-se com profundidade, que Estado se quer, que Ministérios são necessários ao país.
Apregoam os elementos deste Governo, permanentemente, que é necessário reduzir a máquina da função pública, máquina que atinge todos os ministérios, mas ainda não disseram concretamente quantos funcionários públicos há a mais e onde. Ainda não disseram ao país, devidamente fundamentados, quantos funcionários serão precisos.
Ainda não disseram ao país, concretamente, que Estado é preciso para Portugal.
Do Minho ao Algarve ninguém acredita neste primeiro-ministro. Como Sócrates tem brilhado a mentir e de fazer o contrário do que prometeu. Ambos – não tanto os ministros que com eles formaram governo – empobreceram o país, criaram quase um milhão de desempregados e, entre estes, temos os estudantes que concluíram os estudos e apenas se lhes apresentam três saídas: por terra, por mar e pelo ar – emigrando, conforme os convidaram.
Depois da veracidade negativa que nos esmaga, que atira qualquer trabalhador, empresário ou aposentado para um infernal/inferno a curto prazo, como Miguel Torga temos de concluir que “o país levanta-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e ri-se indignado, mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão”, porque receia a confusão.
Reforma do Estado, Documento Portas para a reforma do Estado!
Quantos deputados a mais na Assembleia da República e quantas nomeações políticas absorvem o dinheiro dos cofres do Estado, com assessores de assessores e com especialistas (em quê?) de vinte e quatro anos de idade? Quantos milhares de indivíduos entraram em vários serviços locais e nacionais sem prestarem provas através de um concurso nacional ou local?
Politicamente, estes dois últimos primeiros-ministros ao serviço da implantação da fome, do medo e do futuro de Portugal, o povo já os lançou ribanceira abaixo. Agora, só o tempo resolverá o funeral.
Talvez tenham pensado que os portugueses estavam na última fila quando Deus distribuiu a inteligência à humanidade. Não é por acaso que o Almirante dizia: “o povo é sereno; é só fumaça”! Não é por acaso que estes malabaristas da política e das circunstâncias afirmem com toda a falta de pejo e de educação que o povo “é maravilhoso, sofredor, compreensivo” e muitas mais afirmações cirqueiras do género.
Provam estes falsos reformadores da Reforma do Estado, que os seus ideais são amar mal os pobres e os debilitados; é bajular e temer os de estômagos fartos, porque a mando de uma Draculândia organizada atacam quem não se pode defender, e o ideal de jogarem o seu fel contra os que elevam e elevaram o país com honra e orgulho de ser português.
Políticos? Parlamentos? São pessoas e locais onde uns se mostram, onde outros se exibem e onde muito se ganha. Autêntico parque de exposições, onde todos vendem, ninguém compra e muito pouco se faz. E o Povo, Senhor?!




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