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Obrigado, Sr. Blatter

Durante alguns dias, num conceituado site da internet (um dos mais visualizados em todo o mundo), o Sr. Joseph Blatter era designado como um “economista suíno” (em vez de suíço). A brincadeira, embora de gosto muito discutível, não deixa de refletir o impacto que teve a sua intervenção desajustada relativamente a Cristiano Ronaldo. Mas o certo é que quando o Sr. Blatter fez aquele papel de comediante de terceira categoria estava longe de imaginar que tinha acabado de fazer um grande favor a todos os portugueses: espicaçou a “fera”. A resposta de Cristiano foi dada dentro do campo, quer nos jogos do Real Madrid quer nos da seleção nacional. E de que maneira!

Manuel Cardoso
21 Nov 2013

Aquela exibição frente à Suécia ficará na história do futebol português, pela categoria exibida mas também pela resposta dada à altivez de algum público sueco. No entanto, mais do que responder a Blatter e aos suecos, Cristiano Ronaldo respondeu da melhor maneira a muitos portugueses. Hoje, após aqueles golos, poucos se lembram das imensas críticas que lhe foram feitas em jogos que correram menos bem. Para esses críticos, alguns deles “encartados”, Cristiano descansava nos jogos da seleção, escondia-se, poupava-se, numa palavra, jogava mal.
Mesmo nesses jogos, Cristiano nunca deixou de ser um dos melhores; mas a ele sempre se exige tudo. Muito não chega, tem de ser tudo. E na passada terça-feira ele foi tudo ou quase tudo.
A reação do nosso craque em relação às afirmações insanas de Blatter só se explica porque ele sabe que tudo aquilo são disparates. Como são disparates algumas opiniões lusas que põem em causa o seu profissionalismo. Ronaldo tem uma vida privada e tem todo o direito a ela. A regra é simples e ele cumpre-a religiosamente: nada do que é a sua vida privada interfere com o seu imenso e incomparável profissionalismo. O resto é inveja.
E os quatro golos de Ronaldo, assim como o impacto da vitória da seleção ofuscaram por completo coisas que, a meu ver, correram menos bem e que me preocupam em relação ao futuro. Tanto no jogo de Lisboa como no de Estocolmo é impossível imaginar uma seleção triunfadora sem Cristiano Ronaldo. O que eu vi foi uma seleção mal dirigida, com alguns jogadores fora de forma, com uma estratégia previsível e simplista, com sucessivos cruzamentos inconsequentes para a área, com erros defensivos e com um selecionador amedrontado não sei bem com quê. Em Estocolmo, mesmo a perder por 2-1, a preocupação de Paulo Bento era defender. Aquela entrada de William Carvalho para ajudar ao “ferrolho” podia ter saído bem cara. Aquela insistência em jogadores inofensivos como Nani ou Hugo Almeida só pode ser explicada por uma enorme teimosia.
Felizmente, temos alguns génios na equipa e é a esses que devemos o apuramento. Moutinho, Miguel Veloso e João Pereira, por exemplo, mas, acima de tudo, Cristiano Ronaldo. Em muitos momentos do jogo foi ele que levou Portugal para a frente, quando a tática “puxava para trás”. Seja como for, vale a pena continuar a saborear aquelas imagens com a certeza de que, embora possa não ser escolhido pelos maiorais da bola como o melhor do mundo, para nós ele é um génio único e inigualável.




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