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O «patinho feio»…

Numa altura em que o país fervilha de júbilo pelo apuramento da Seleção para a fase final do Campeonato do Mundo do Brasil, não seria de bom tom que a crónica desta semana fizesse tábua rasa desse feito notável. Assim sendo, vamos ao “assunto”: Sem prejuízo dos merecidos encómios a Cristiano Ronaldo pelos quatro magníficos golos que faturou contra a Suécia (em Lisboa e em Estocolmo), ouso aqui exaltar a ação desse “patinho feio” chamado Hugo Almeida, de que poucos dizem bem!

Carlos Manuel Ruella Santos
21 Nov 2013

É verdade que não deixou de constituir supresa para muitos a sua utilização como “titular” no jogo disputado na Suécia. Para mim, todavia, não foi surpresa de monta. E isto porque, a meu ver, as “caraterísticas” de Hugo Almeida se ajustam melhor do que as de Postiga à corrente de jogo de Portugal em situações de rápido contra-ataque.
É inegável que prefiro ver o bracarense Éder a ocupar o lugar de ponta de lança da Seleção. Por uma razão simples: Ederzito é um futebolista acutilante, que surge “na cara” dos guarda-redes quando menos se espera, revelando também grande genica quando é preciso auxiliar os companheiros da retaguarda.
Mas, dado que Paulo Bento não tem por hábito integrar no “onze” inicial o avançado do Sp. Braga, sou mais favorável à inclusão de Hugo Almeida do que à de Hélder Postiga.
Bem sei – reconheço-o com facilidade – que Almeida é o “patinho feio” da Seleção. Os adeptos portugueses não nutrem grande “simpatia” (nem empatia) por ele.
Os inúmeros golos que falha (às vezes escandalosamente), a displicência que apresenta na maioria dos remates que faz às redes contrárias e, também, um acentuado “egoísmo” nas ocasiões em que companheiros seus estão em melhores condições de “bombardear” a baliza adversária, acabaram, paulatinamente, por fazer com que os adeptos o olhem de soslaio. E são muitos, por isso, os que criticam Paulo Bento pela permanente “chamada” de Hugo à Seleção.
Todavia, há uma qualidade que Hugo Almeida apresenta e que Postiga não possui: em situações de contra-ataque, quando se encontra na zona do meio-campo, é dos poucos avançados nacionais que sabe “desmarcar”, com grande mestria, tanto Cristiano Ronaldo como Nani. E, em situações de “ataque organizado”, é suficientemente inteligente para se encostar com rapidez às abas do terreno, abrir espaços para o CR7 no coração da área e, ainda, “centrar” com elevada qualidade para a zona da pequena área.
Ora, tendo em conta o “sistema” de jogo dos suecos, não estranhei, por conseguinte, que Postiga tivesse sido preterido em favor de Hugo Almeida. E a verdade, quer queiramos quer não, é que foi este quem ofereceu de bandeja a Cristiano Ronaldo dois dos seus quatro sensacionais golos (um na Luz, outro em Estocolmo). Dois golos – note-se – em fases do jogo fundamentais para as aspirações da nossa Seleção…
De Moutinho e Veloso já se não estranha a grande qualidade dos “passes a rasgar”. Mas que outro avançado português sabe fazer esse tipo de “lançamentos” melhor do que Almeida? A meu ver… nenhum!




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