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Bem prega frei Tomás…

Poucos dias antes de o FMI ter divulgado o “famoso” relatório que preconiza novos cortes nos salários e nas pensões dos portugueses, e recomenda o aumento da idade da reforma para os 67 anos, uma notícia chegou ao nosso país (mas passou pelos “media” como gato sobre brasas). Uma notícia que dá conta do seguinte:O alemão Jurgen Kroger, que chefiou a representação da Comissão Europeia na troika para Portugal, e que nesse papel esteve em várias das avaliações do “Memorando” nos últimos dois anos, reformou-se no dia 1 de julho passado – com direito a usufruir de uma pensão mensal de cerca de… 10 mil euros!

Victor Blanco de Vasconcellos
21 Nov 2013

Diga-se ainda que o senhor Kroger, ao contrário do que ele próprio propusera para a idade da reforma em Portugal (que o Governo já subiu para 66 anos, mas que a troika pretende que ocorra apenas aos 67), reformou-se aos… 61 anos de idade! E com apenas 30 anos de serviço…
Mais: o mesmo senhor Kroger, apesar de se reformar do cargo de diretor da Comissão Europeia com uma choruda pensão, não viajou para casa: acaba de ser convidado pela mesma Comissão para continuar a trabalhar como assessor executivo comunitário precisamente naquela que foi a sua derradeira responsabilidade enquanto eurocrata: a aplicação do programa de ajustamento português. E poderá acumular a generosa reforma a que passou a ter direito com o novo vencimento de assessor!
É verdade que, nas suas novas funções, o ex-chefe da missão da troika para Portugal não auferirá um salário mensal, mas sim uma remuneração por cada dia de trabalho efetuado – o que poderá atingir a quantia de 46.900 euros ao longo dos próximos doze meses, já que ser-lhe-ão pagos 469 euros por cada dia de trabalho (num máximo anual de cem dias)!
Ou seja: enquanto chefe da troika, Jurgen Kroger quis que os salários e as pensões dos portugueses baixassem substancialmente (a breve prazo), e quis que a idade da reforma subisse em Portugal para os 67 anos e deixasse de existir a chamada “reforma antecipada”; mas para si mesmo, seguiu outros “princípios”: reformou-se aos 61 anos (com apenas 30 de serviço), passou a auferir cerca de dez mil euros mensais de reforma, e ainda tem a possibilidade de acumular essa choruda verba com a de um novo trabalho na mesma “empresa” (a Comissão Europeia) que lhe poderá render mais quase 50 mil euros/ano!
Perante uma situação destas, o povo português – que vive com extremas dificuldades por causa da troika do senhor Kroger –, o que poderá (e deverá) pensar? No mínimo, que bem prega frei Tomás (olhai para o que ele diz e não para o que faz…)! Ou então no que dizia o “sapateiro” de Braga: “Haja moralidade ou… comamos todos”!




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