Fotografia:
Sobre a utilidade da prática de “Não Pensar a Crise”

Na passada tarde de 26 de outubro, solarenga e politicamente fervilhante, teve lugar no Oratório de São Josemaria, em Lisboa, uma peculiar conferência proferida pelo Engenheiro José Ramalho Fontes. No essencial, pretendeu este orador defender a ideia que não é útil pensar e repensar a crise atual, na medida em que esse exercício nos tolhe num negativismo desnecessário e, pior, paralisante. Com efeito, defendeu o declarado engenheiro que é através da mudança dos nossos comportamentos que poderemos ultrapassar os efeitos da crise e mudar (melhorar) o mundo. E esses comportamentos novos, para serem eficazes, prescindem quer das interpretações complexas dos filósofos, quer das previsões desfasadas da rea-lidade dos economistas, quer, ainda mais, das infindáveis e contraditórias apreciações dos comentadores políticos, televisivos, especialistas, entre outros.

Ana Cristina Lúcio
20 Nov 2013

Exposta desta forma tão sucinta a ideia parece ser inquietadora, tanto mais que consiste explicitamente num convite ao agir, ao agir urgentemente a bem de todos, e sem pensar muito, mas resolvendo pragmaticamente os problemas. Contudo, se atendermos aos seus principais argumentos, que foram de um modo encadeado apresentados, talvez possamos aprovar a sua razão de ser. Assim, ficou claro que partindo dos princípios oportunos da sabedoria popular: “Não há mal que sempre dure”, “Quem não tem cabeça tem que ter pernas” e “O que tem de ser tem muita força”, que são capazes de restaurar inicialmente a nossa esperança pessoal, assim como restabelecer o uso afirmativo da nossa linguagem, é possível almejar cumprir o Princípio da Subsidiariedade, isto é, contribuir para o desenvolvimento da pessoa. Pois, a inspiração cristã, sobretudo aquela que podemos recolher nas palavras de São Josemaria, ensina-nos que a Liberdade dos Cristãos confunde-se com a liberdade do seu agir e é indissociável da Mudança em Liberdade, o mesmo é dizer que a participação livre dos cristãos na vida do Estado se concretiza mediante quatro comportamentos cristãos basilares: olhar para a sociedade de uma forma positiva; inviabilizar conversas ou apreciações negativas sobre a realidade; proporcionar o encontro e a colaboração entre as pessoas; e, desta forma, resolver os problemas prementes das mesmas.
A conferência foi brilhante e plena de exemplos e de ilustrações bem humoradas da ideia que se pretendia argumentar. No entanto, apesar de não ter sido explicitamente esse o seu propósito, deu que pensar! No final, mesmo após as poucas objeções colocadas pelos participantes, porventura estupefactos ou simplesmente agradecidos, ainda conseguiu que todos os presentes imaginassem (que não é senão uma forma livre de pensar) a vivência consonante do seguinte comportamento: no nosso dia-a-dia, ter a iniciativa de “afogar o mal em abundância de bem, porque assim as coisas vão mudar.”




Notícias relacionadas


Scroll Up