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Ranking das escolas – comparar o incomparável

Paulatinamente, o Ministério da Educação está a desvalorizar a escola pública; e disso são prova concludente as duas últimas medidas tomadas: a ênfase dada ao ranking das escolas e a prova de avaliação dos professores contratados (esta, sem dúvida, uma iniciativa absurda e estapafúrdia, pois, com ela, o Ministério da Educação passa um atestado de incompetência a si próprio, responsável pelos programas de formação de professores e respetiva fiscalização e às universidades que formam e conferem os diplomas).

Dinis Salgado
20 Nov 2013

Vamos, então, ao ranking das escolas. Numa análise mesmo sumária, este põe em lugar de destaque as escolas privadas; ora, ao comum dos pais e educadores pouco preocupados ou informados sobre questões pedagógicas e de sociologia, isto quer dizer que as escolas públicas não prestam e não se recomendam; e a única garantia de um percurso académico de sucesso para os seus educandos está nas escolas privadas.
Porém, isto é comparar o incomparável; quando se quer avaliar, assim, as formas de ensino/aprendizagem, a intenção clara é valorizar uma em detrimento da outra; porque, se o Ministério da Educação pretende avaliar com justiça, rigor e imparcialidade as escolas, que o faça separadamente: escolas públicas de um lado e escolas privadas do outro, dadas as suas realidades muito distintas.
Pois bem, sabido é que a escola pública ainda é um fator evidente de equidade e justiça no acesso e sucesso de todos aos benefícios do ensino/aprendizagem; e esta igualdade de oportunidades não pode ser de direita nem de esquerda e, muito menos, depender da vontade de uns quantos governantes tecnocratas e economicistas, já que é uma condição de liberdade e humanidade.
Depois, contrariamente ao que acontece nas escolas privadas, as escolas públicas recebem e trabalham com alunos de todos os estratos e níveis pessoais e sociais, não selecionando nem segregacionando, portanto; funcionam em mega-agrupamentos com turmas numerosas e heterogéneas e alunos com necessidades educativas especiais e de diferentes culturas e etnias; também estas escolas têm em conta os desequilíbrios socioeconómicos e culturais do meio e demais fatores que condicionam, seriamente, os resultados escolares dos alunos; e não praticam nenhuma seleção no ingresso dos seus alunos, não afastando nunca os que não obtêm bons resultados e lida com todos os alunos beneficiários da ação social escolar.
E se é às escolas públicas que acorrem grande parte de alunos vocacionados para cursos profissionais, bem como os que, apenas, lá andam obrigados pela manutenção dos apoios sociais à família, as escolas privadas privilegiam os cursos para prosseguimento de estudos, cada vez menos acessíveis, hoje, a todas as classes sociais; e, ainda, o apoio e acompanhamento escolar e o nível económico e cultural da maioria das famílias dos alunos das escolas privadas não tem paralelo com os dos alunos das escolas públicas, bem como o recrutamento e tratamento do seu corpo docente e a disciplina, trabalho e rigor da ação e gestão escolar.
Por isso, o ranking das escolas da forma intencionalmente unilateral como é feito, apresentado e comentado leva-nos a pensar e a concluir que das duas uma: ou o Ministério da Educação quer mesmo livrar-se das escolas públicas ou, então, não sabe, neste entrementes, o mal que lhes anda a fazer.
E o que nos leva obviamente a praguejar:
– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




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