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Amanhã será tarde demais!

Assinalou-se no passado domingo o DiaMundial da Prematuridade. Um pouco
por todo o país, a data foi celebrada
com várias iniciativas para dar a conhecer
esta realidade.
Quando em Portugal nove em cada cem
crianças nascem antes do tempo e a taxa de
natalidade está em permanente decadência,
qualquer atividade focada na criança é um
grito de alerta para uma problemática que,
apesar de tantas vezes lembrada, vai sendo
continuamente adiada.

J.M. Gonçalves de Oliveira
19 Nov 2013

Tratando-se de uma comemoração focalizada
nas crianças que nascem com um grau
de imaturidade muito variável, acarretando
cuidados altamente diferenciados e sendo
para os pais um problema delicado de encarar,
é uma data que se celebra com enorme
regozijo, pelo simbolismo que representa
para os direitos que toda a criança deve ter,
independentemente das semanas de gestação
com que vem ao mundo, mas principalmente
por constituir uma oportunidade de realçar
a sua importância no contexto da sociedade
atual. A sua permanente redução, considerando
a baixa de nascimentos que ano
após ano vamos testemunhando, fazem adivinhar
um futuro sombrio.
As causas deste fenómeno, presente na
maioria dos países europeus conducente
ao chamado “Inverno Demográfico” (envelhecimento
da população resultante de uma
constante baixa de natalidade a par de uma
estabilização da taxa de mortalidade em níveis
baixos), têm sido debatidas em diferentes
fóruns e por distintas personalidades que
não se cansam de chamar a atenção para
os seus efeitos catastróficos nas sociedades
do futuro. Porém, apesar de todos os avisos,
muito pouco se tem feito para inverter
a situação.
O nosso país, infelizmente, também não foge
a esta regra e vem assistindo, nos últimos
anos, a uma baixa de natalidade que deixou
de ser um problema transitório e marginal
para constituir um fantasma a pairar sobre
o destino das gerações vindouras.
Circunscrever esta preocupante realidade à
crise económica e financeira que o país atravessa,
é ter uma visão profundamente redutora
das múltiplas razões que esta encerra.
Na sua origem há uma multiplicidade de causas
sociais, culturais, económicas e políticas
que não podem ser escamoteadas. Desde a
facilidade do autocontrolo da fertilidade por
parte da mulher, passando pela sua entrada
no mercado de trabalho em pé de igualdade
com o homem, às alterações dos estilos
de vida em que a mobilidade é um fator
preponderante, existe um outro conjunto
de razões a considerar. Nestas, não se
pode esquecer o desinvestimento nas políticas
da família, a desvalorização constante
desta verdadeira célula nuclear da sociedade,
a par de outros preocupantes exemplos
de desestruturação social como a elevada
taxa de divórcios e o aumento progressivo
de crianças a viver com um só dos progenitores.
É absolutamente arrepiante verificar
as conclusões de um inquérito, coordenado
pela Prof.ª Doutora Maria do Céu
Machado, efetuado a estudantes universitários
sobre os planos de família. Publicado
recentemente no jornal “Expresso”, dava
conta que 86% têm projeto de parentalidade,
mas só 71% querem casar ou viver em
comunhão de lar.
Não existindo outras formas de contrariar
uma tendência que se vem instalando entre
as sociedades contemporâneas, impõe-se
implementar medidas que menorizem este
flagelo e permitam conseguir fazer a reposição
das gerações, criando mecanismos de
apoio às mulheres para que possam trabalhar
e ter os filhos que desejam.
Nos tempos agitados que vivemos, em que
outras prioridades ocupam as atenções das
mais altas instâncias da governação, é preciso
envolver os poderes locais para a assunção
de responsabilidades nesta área de
enorme sensibilidade e de dramáticas consequências
para o futuro coletivo. Felizmente,
sobretudo no interior do país para combater
a desertificação, vislumbram-se sinais promissores
desta consciencialização. No sentido
de promover a natalidade e a fixação à
terra, vários municípios têm criado incentivos
com esta finalidade. Pagamento das vacinas
extra Programa Nacional de Vacinação,
abertura de contas simbólicas e até prémios
pecuniários são alguns modelos destes estímulos.
Que estes exemplos proliferarem cada
vez mais extensamente e com maior imaginação
é uma imperiosa necessidade e uma
obrigação de quem tem o dever de assegurar
o destino das suas comunidades.
Ninguém tem dúvidas que amanhã será tarde
demais!




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