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Presidenciais 2015?

2014 nem começou, 2015 ainda vem lá longe e as sondagens e os comentadores já falam e perspetivam a eleição para presidente da república. Imagine-se, para o ano de 2015!!! Se isto não é falta de assunto político, digam-me o que é. Temos uns quantos indivíduos neste país que gostam de sofrer por antecipação. A dois anos de distância a certeza só tem paralelo à da morte, isto é, todos sabemos que vai acontecer o que não sabemos é como vai acontecer. Os assuntos nacionais, principalmente reganhar a independência económica e financeira de Portugal, sacudir o jugo FMI que tanto nos avassala, resolver os problemas de investimento, de empregabilidade, de pobreza, purulentas chagas deste país, ficam assim secundarizadas pelas “profecias” para presidente da república de Portugal.

Paulo Fafe
18 Nov 2013

Francamente, a gente olha para isto tudo e apetece desistir de ouvir os comentadores e de ler os articulistas. O melhor talvez será entretermo-nos a ver as ficções porque ao menos sabemos que é mentira mas não têm o ar sério de quem nos quer aldrabar. Esta falta de assunto, que está no deserto de ideias dos fazedores da opinião pública está de certa maneira a funcionar como um preenchimento de vazios e, em termos sociológicos, afirmaríamos que há em tudo isto uma intenção de vender opinião. Não distraiam os portugueses com assuntos que ainda nem sequer pairam nas nuvens, ajudem-nos antes a pensar, a formar-lhes a mente para uma opção sã, ajudem-nos a filtrar as informações que em catadupas lhes entra pelas suas casa. Ajudem a formar e não a formatar o pensamento. É a sonhada ambição de transformar o voto ideológico num voto consciente. Votar consciente é, por exemplo, escolher entre um poupador e um gastador, entre um contabilista e um humanista, entre quem paga o que deve e o que deve e não paga. Ajudar a ver bem não é pregar a fartura onde a não há, como também não é esconder o que há a favor dum hermético sentido de poupança. Esta ideia de informar sobre a verdade das coisas é o serviço mais nobre duma comunicação social, porque comunicar não é arrancar os melhores títulos, as melhores capas porque por vezes ou quase sempre falta miolo. Miolo que é maná para quem não tem outro alimento para o pensamento, este que faz a individualidade na escolha do voto consciente. Por isso olho com aversão e estranheza e até com alguma repulsa esta pressa em falar nas presidenciais. Faz-me lembrar o outro que dizia, “se esta cotovia mato faltam-me três para quatro”. A não ser que isto seja um processo de ir queimando os primeiros candidatos mais votados nestas sondagens, para abrir caminho a outros que ainda nem sequer foram sondados. No jogo político há mais manhas que as de uma raposa e mais movimentos viscosos que uma cobra. É um mundo de afirmação pessoal travestido de doação à causa pública. Sombras e fantasmas em lúbricos conluios. Se eu pudesse dar um conselho diria, não oiçam, não leiam, não discutam as sondagens para as presidenciais para esse ano longínquo de 2015.




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