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“GNRation”, que futuro?

Foram poucas as marcas deixadas na cidade de Braga pela vivência da CEJ 2012. Direi mesmo que, praticamente a um ano de distância, já poucos bracarenses se recordarão desse período recente, ou sequer das diversas atividades que o envolveram, dada a pouca notoriedade demonstrada pela qualidade temática dos seus eventos. Isto, porque tudo começou mal e ao sabor do improviso pela mão daqueles que foram investidos para dirigiram a Fundação Bracara Augusta, estrategas de um verdadeiro fracasso. Tão mal, que ainda hoje ninguém sabe onde funcionou a sua sede e, muito menos, a tão propalada Pousada da Juventude, cujo projeto foi viajando de um local para outro.

Narciso Mendes
18 Nov 2013

Para além da “Noite Branca”, que ficou para marcar a diferença, foi sobretudo para o velho edifício do quartel da “GNR”,  no qual foram gastos 2.200 milhões de euros na sua recuperação e adaptação, passando a usar o logótipo estrangeirado “GNRation”, que se viraram todas as atenções, na esperança de que ao menos esta virtuosa criação salvasse a honra do convento. Expetativas que, após um discurso de encantar, se traduziu em parcos resultados da sua projeção de criação, produção, consumo de atividades artísticas e talento jovem, com a interação de ideias e negócios para o posicionamento de Braga no cluster regional de indústrias criativas, se traduzem agora num impasse quanto ao seu futuro. Pelo que, após esta gorada experiência, torna-se necessário respeitar este dispendioso investimento, rentabilizando-o a favor da cidade e dos seus jovens.
Uma vez que temos uma nova maioria na autarquia bracarense, com um Presidente da Câmara Municipal a respirar cultura por todos os poros, decidido a romper com a práxis anterior de um deserto cultural de cerca de quatro décadas, faz todo o sentido esperarmos, com toda a serenidade, o seu empenho em potencializar as valências do “ GNRation”, nomeando para o efeito uma direção de peso com uma equipa de trabalho que se dedique, produza e mostre dignos resultados. Sim, porque Braga merece um pólo cultural de excelência como os existentes em outras cidades, como é o caso de Serralves e da Casa da Música no Porto; a Casa das Artes em Famalicão ou o Centro Cultural de Vila Flor em Guimarães, etc.
Ora, tratando-se de um edifício de razoável envergadura, edificado numa zona das mais nobres da cidade, em pleno centro histórico bracarense, cujos custos de funcionamento se tornam, por certo, avultados e tendo em conta o estado deficitário do país, seria de todo vantajoso procurar rentabilizá-lo, em termos financeiros, para ser afastada, a ideia de que se trata de mais um “elefante branco”. Pelo que, uma vez vocacionado para fins culturais, seriam os mecenas a ter uma palavra a dizer quanto a apoios, os quais poderiam surgir também de outras iniciativas como a da criação do cartão de associado, em anuidade, com vantagens para o titular como descontos no parque subterrâneo do Campo da Vinha e no consumo interno naquele espaço por altura das atividades. A saber: eventos de  arte e espetáculos, certificando os jovens criadores com a chancela da casa, premiando o melhor trabalho; animação cultural com uma agenda temática de atividades culturais que preencham o ano todo; uma festa de associativismo e juventude; o estabelecimento de um espaço, em parceria, com a rádio e a TV para divulgação dos programas culturais que se produzirem em Braga; estabelecer pontes e laços culturais pondo a instituição ligada ao mundo, num intercâmbio de experiências que suscitem grandes êxitos.
E porque gosto de ver os jovens ocupados, cultos e em movimento, pretendo apenas com este assunto dar o meu humilde contributo à nova gestão camarária para que quando questionarem os bracarenses sobre se valeu a pena a mudança, legitimamente responderem: Oh! Se valeu!




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