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Outro Ponto de Vista…

A propósito do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal temos assistido a uma campanha de propaganda a lembrar-nos o que de melhor se produzia nos antigos paraísos a leste da europa, designadamente, a propaganda estalinista. Sem pôr em causa os méritos da inteligência de Cunhal, graças a Deus e ao trabalho de muitos homens, apenas sofremos uma pequena demonstração do que seria se as suas ideias fossem vencedoras. Miséria, opressão, ditadura e muitos de nós a viver em algum sucedâneo de um Gulag qualquer… Procurar dizer o seu contrário é não querer ver o que se passou nos areópagos das suas “amplas liberdades”!

Acácio de Brito
15 Nov 2013

Mas, no melhor estilo do realismo estalinista apresentam-nos a personagem como pai extremoso, que seguramente para sua filha foi, como artista talentoso que sem margem para dúvidas poderia ter sido, ou como filósofo da bem-aventurança que assumidamente não foi.
Cunhal foi um líder distinto do comunismo internacional, intérprete fidelíssimo da nomenclatura soviética, banqueteou-se com os piores ditadores do mundo contemporâneo e a sua humanidade pode ser descrita com o apoio que deu às invasões na então Checoslováquia, na Hungria, na Alemanha de Leste (na construção vergonhosa do “muro da vergonha”) e na repressão aos sindicalistas livres da Polónia, irmãos pátrios do saudoso João Paulo II, entre outros tantos desmandos que muito sofrimento causou.
Dizer o seu contrário é repetir a técnica de Estaline, Brejnev, Mao Tsé-Tung e outros quejandos na reescrita da História.
E porque a História não se apaga e dos homens ficam as suas obras, revisito um texto datado de 5 de setembro 1966 de um ilustre português, contrapondo–o às liberdades defendidas pelo ilustre comunista.
O leitor perceberá a diferença!
(…) “Quanto mais se acentua a tendência para a afirmação da preponderância do interesse geral sobre os interesses particulares, a propensão para olhar os direitos individuais fundados na legalidade como simples fórmulas burguesas, a inclinação para absorver os indivíduos na máquina trituradora do Estado, mais vigorosamente se impõe o dever de lutar pela manutenção do respeito dos limites traçados pela lei aos poderes do Estado e pela salvaguarda da zona de liberdade individual que daí resulta.
Admitir que a liberdade (…) concedida como simples atribuição formal de faculdades ou poderes que só alguns poderão efetivamente exercer não basta, e que a liberdade precisa de ter um conteúdo positivo, traduzido em possibilidades económicas efetivas e no gozo real dos bens da vida, não envolve necessariamente a exclusão da legalidade administrativa e da garantia dos direitos individuais.
Se é verdade que os fins do Estado justificam a exigência legal dos meios de os realizar, já não é verdade que o interesse público justifique o arbítrio dos processos para obter esses meios. (…)
O citado é feito a partir da obra “Marcello Caetano, uma biografia política” de José Manuel Tavares Castilho.
Contraponha-se as líricas noções de liberdade de Cunhal que tiveram aplicação em muitos povos e países, com a de outros, académicos de referência, que em determinado momento serviram como puderam e lhe deixaram o seu País.
Com serenidade, saber, probidade e amor Pátrio!
Já é tempo de se acabar com a propaganda que nada serve e tudo procura escamotear, tentando enganar tantos, de modo, muitas vezes indecoroso.




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