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Futebol 7: os (não) jogos continuam

Iniciaram-se as competições de futebol de sete da AF Braga. Os jornais diários da região tentam, às quartas-feiras, conseguir títulos que adjetivem devidamente os resultados volumosos, mas em vão, não há títulos suficientemente sugestivos e descritivos daquilo que se passa em inúmeros sintéticos que pululam pelas freguesias da região. Uma vez que a AF Braga inicia o seu quadro competitivo nos benjamins e é também neste escalão que muitas crianças adquirem (ou perdem) o seu gosto pela modalidade, vamos analisar os resultados das primeiras jornadas neste escalão específico.

Carlos Mangas
15 Nov 2013

Para efeito do que pretendo demonstrar, vou considerar como goleadas apenas aqueles resultados cuja diferença tenha sido igual ou superior a 8 golos (como veem, estou a ser um “mãos largas”). Apresento de seguida panorama no referido campeonato:
– 1.ª jornada –  em 67 jogos possíveis realizaram-se 56, onze foram adiados e dez acabaram com goleada.
– 2.ª jornada – em 67 jogos possíveis, realizaram-se 62, cinco foram adiados e quinze acabaram em goleada.
Ou seja, nas duas primeiras jornadas realizaram-se 118 jogos, dezasseis foram adiados e vinte e cinco acabaram em goleada. Podemos assim dizer que 35% (41 jogos) dos praticantes que gostariam de ter jogado futebol, não o fizeram. Esta minha contabilidade advém de eu agrupar no mesmo lote, as crianças que pertencem aos clubes que adiaram os seus jogos e aquelas outras que pertencem aos clubes que golearam ou foram goleados. No meu entendimento nem uns nem outros se divertiram, que é a primeira motivação nestas idades, para a prática de uma qualquer modalidade desportiva. Pior ainda, aqueles que golearam, viram diminuída a sua motivação para evoluir, os goleados viram diminuída a sua motivação para jogar.
No decurso da época 2010/11 participei num seminário que decorreu na nossa região, com a presença de responsáveis da AF Braga onde foi também abordada a problemática do futebol de formação e respetivos quadros competitivos. Perante uma plateia de gente que labuta todos os fins de tarde e de semana, tentando dotar as nossas crianças de algumas competências para a prática da modalidade, foi dito que os quadros competitivos existentes são mais prejudiciais do que benéficos para a formação futebolística das crianças do distrito. No final da época 2011/12 (através de carta enviada ao presidente da AF Braga e publicada neste jornal), entendi dar o meu contributo para a criação de um modelo competitivo que não fosse castrador para as crianças que treinam três a quatro vezes por semana com determinado grau de exigência e que simultaneamente não fosse também “assassino” (matando o gosto pela modalidade) para aquelas crianças cujo único objetivo ao final de semana é sentirem-se representantes da sua terra ou da sua freguesia equipados a rigor, com um emblema ao peito.
Nada do preconizado e/ou sugerido foi feito, e, pelo que percebo através dos jornais e de conversas com colegas que continuam nessa luta semanal, a falta (ou o elevado grau) de exigência emanada dos deficientes quadros competitivos vai continuar a coartar as possibilidades de algumas crianças percorrerem um trajeto que lhes permita evoluir para patamares de excelência consentâneos com as exigências do futebol jovem atual. Enquanto isso, muitas outras não vão sequer atingir os escalões de iniciados e juvenis dos respetivos clubes, porque desistem da modalidade.




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