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Um país extraordinário!

Portugal é, de facto, um país extraordinário. Então, não é que há bem poucos dias ficamos a saber que no nosso País há cada vez mais multimilionários e que esses, apesar da crise em que vivemos, estão cada vez mais ricos?! E que, quando comparado com o resto da Europa, o crescimento das suas fortunas foi maior do que a média europeia?! Como é que isto se conseguiu? Não foi, certamente, com a diminuição da taxa de desemprego – que, apesar da queda, é a terceira mais elevada entre as 34 economias mais desenvolvidas do mundo – e com a progressão económica de 0,3% registada já nos últimos meses. Então, só pode ser porque somos um país extraordinário.

Damião Pereira
14 Nov 2013

E tanto, que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, afirmou, na Índia, país onde antes tinha deixado a ideia da inevitabilidade de um segundo resgate, que estamos a sair da «recessão técnica» e que a nossa economia «está hoje muito mais competitiva».
E assim, além de ser um país fora de série, Portugal é também governado por políticos extraordinários,     que todos os dias nos dizem que «o pior já passou».
Veja-se o que disse, há dias, Poiares Maduro. Ouvido no Parlamento no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2014, o ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional garantiu que «o pior já passou e não podemos desperdiçar todo o esforço feito até agora»; que «o cumprimento do orçamento permitirá ao país terminar com êxito» o programa de assistência da “troika”; que «o desemprego é ainda muito elevado, mas já começou a descer»; que «o nível de atividade económica é ainda débil, mas estamos a sair da recessão»; que «os juros da dívida soberana são ainda elevados, mas já desceram abaixo dos 6%»; que «estamos hoje melhor do que há um ano»; que «a perspetiva que temos pela frente coloca-nos daqui a um ano em melhor posição do que hoje»…
Ainda em tempo de eleições autárquicas, também o vice-Primeiro-ministro Paulo Portas havia declarado acreditar que «o pior já passou». E já antes, melhor, muitos meses antes, na sua mensagem de Natal, também Passos Coelho havia declarado que «o pior já passou».
Assim, se «o pior já passou», como se justifica que o Orçamento do Estado para 2014, que está agora a ser discutido na especialidade, não preveja mais do que um «enorme» pacote de medidas de austeridade, defendendo a ministra das Finanças que há pouca margem para alterações ao documento?
É claro que o Governo deve procurar o máximo de consenso com os partidos da oposição e com os parceiros sociais. Mas como se chega a um acordo para as necessárias reformas
se o Orçamento prevê cortes nas coisas mais elementares, como a Saúde, a Educação, a Segurança e a Justiça, e que em vez de promoverem o emprego se baseiam na lógica da rescisão de contratos em que os principais visados são, para já, os funcionários públicos?
Temos uma liderança composta por governantes que todos os dias nos vêm dizer que «há sinais encorajadores» e que o país está a crescer. Mas a crescer para quem? É a pergunta que se impõe!




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