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Ocupações e preocupações

1 «Já repararam que aquilo que mais nos ocupa raramente coincide com o que mais nos preocupa? Toda a gente se diz preocupada com a educação, a saúde, a economia e a segurança. Mas, a avaliar pelo volume noticioso que nos chega, o que nos traz mais ocupados é o lazer e o futebol. As vicissitudes da vida privada de um artista espevitam muito mais a nossa atenção que as intervenções de um decisor político. E, no entanto, estas é que interferem verdadeiramente no nosso quotidiano. Como compreender este desfasamento entre um claro sobre-investimento (económico, comunicacional e afetivo) no futebol e um penoso subrendimento na cultura? Não deviam as nossas ocupações estar subordinadas às nossas preocupações?»(João António Pinheiro Teixeira, «Dia a Dia com Deus», pag. 256)
 

Silva Araújo
14 Nov 2013

2. É importante na vida ter cada um uma correta escala de valores e agir de harmonia com ela. Tê-la e não a respeitar é o mesmo que não a ter, ou pior ainda.
Uma escala de valores onde se distinga claramente o principal do secundário. O urgente do adiável.
De harmonia com essa escala de valores programará cada um o seu dia, de modo que o primário ocupe sempre o primeiro lugar. De modo que, se não houver tempo para tudo, o que tinha de ser feito o seja mesmo.
Há muito tempo que se perde por falta de organização e de programação. Saber ordenar o dia é evitar passos escusados e deixar de gastar horas preciosas em questões meramente secundárias
Acontece de, muitas vezes, andarmos ocupados com bagatelas, esquecidos – ou distraídos – do que é realmente importante.
Às vezes somos nós mesmos que nos distraímos. Porque o que deve ser feito nem sempre é o que mais nos agrada ou o que mais nos convém, entretemo-nos com coisinhas, com elas preenchendo o tempo. E depois vem a desculpa de que o tempo não chegou.
Até na prática religiosa se nota isto. Não há tempo para participar na Eucaristia mas há tempo e dinheiro para mandar fazer e distribuir cópias de oraçõezinhas. Não se atende ao fundamental – que é a conversão que leve a um amor cada vez maior a Deus e aos outros e a um serviço cada vez melhor aos outros por amor de Deus – porque se faz consistir a prática religiosa num conjunto de devoçõezinhas inócuas no que respeita à mudança de vida, mas a que se não pode faltar. Não há tempo para falar com os outros porque se gasta esse tempo a falar dos outros.
 
3. Se umas vezes somos nós que nos distraímos, noutras há alguém que propositadamente nos distrai, para os deixarmos à vontade. Enquanto nos entretemos – ou nos entretêm – com telenovelas, com futebóis, com literatura de cordel – sensacionalista, sexy ou bisbilhoteira – não tomamos consciência de situações de injustiça, de atropelos à verdade, de graves formas de exploração, da má gestão de dinheiros e de um conjunto de situações que importava denunciar. E então, parafraseando o Hino da Mocidade Portuguesa, lá vamos, cantando e rindo, levados, levados sim…
Na prática, as nossas preocupações nem sempre são o que deveriam ser as nossas prioridades. Umas vezes, por culpa exclusivamente nossa; outras, também por culpa de quem propositadamente nos distrai, e nós vamos na onda. Não será mais que tempo de abrirmos os olhos?




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