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A Lei suprema do Amor (II)

Quando Deus criou o homem, deu-lhe o que teria de mais divino para realizar durante a sua existência terrena: a capacidade de amar. O amor nunca pede a ninguém para fazer qualquer coisa indigna. O amor, racionalmente orientado, nunca desce a níveis baixos ou a condições desumanas; ele torna a pessoa mais autêntica, mais tranquila, mais realizada, mais apta para o trabalho e mais rica nas suas relações com o próximo. A família ou qualquer outra forma de vida, isoladamente ou em comunidade, constituem as melhores equipas do mundo.

Artur Gonçalves Fernandes
14 Nov 2013

O êxito ou o fracasso dessas equipas depende do maior ou menor grau de amor praticado. O amor é o maior incentivo que existe: é o cimento que liga os seres humanos entre si. Mas, deve-se lembrar que a prova mais evidente do amor é o sacrifício. Porém, o mundo anda louco, porque se afastou do amor. Os homens odeiam-se imenso e tratam da pior maneira os seus pares, incluindo, muitas vezes, aqueles que mais gostam deles. A ingratidão impera na sociedade. Há tão poucos amigos verdadeiros ou coerentes! Neste pobre e destroçado mundo, os ensinamentos de Cristo continuam a constituir a melhor filosofia de vida que nunca esteve nem estará seriamente ameaçada. No entanto, as relações atuais com Deus e com o próximo estão muito desvirtuadas. Esse é nó do problema. Quando o homem se capacitar de que as suas conquistas meramente materiais e sociais não conseguem dominar o mal, verá então o que realmente deitou por terra em todos os seus planos. O homem tem que se capacitar que é seu dever construir um mundo feliz no qual as dádivas de Deus sejam partilhadas por todos. Só assim dará um forte contributo para uma existência em perfeita harmonia com os outros. E esta potência mora dentro dele próprio. A força necessária para essa construção está no amor que é libertado quando o homem está em ligação viva com Deus. Viktor Frankl escreveu: “O amor é o único processo de alcançar outro ser humano no âmago da sua personalidade. Ninguém se pode aperceber totalmente da verdadeira essência de outro ser humano se o não amar. Pelo acto espiritual do amor pode ver os traços e feições essenciais da pessoa amada; e mais ainda, vê o que há nela em potência, o que não está ainda revelado e pode sê-lo. Além disso, pelo seu amor ajuda a pessoa amada a actualizar as suas potencialidades. Tornando-a consciente do que pode ser e no que se poderia transforma, torna essas potencialidades em realizações.” A lei mais segura do universo é a do amor, e não há lei humana que a supere. O amor é autossuficiente e autojustificativo. Só ele garante a decência da sociedade, a permanência dos Estados e das sociedades. O amor é o melhor legado para a posteridade e é ele que dá às instituições a única possibilidade de conservar a dignidade ou de a recuperar, quando ela se tiver perdido. Amor é demonstração e não simples declaração. Não basta elaborar novas ideologias ou reformar as nossas instituições para se poder erguer uma sociedade melhor. O que temos a fazer é reformarmo-nos a nós próprios e libertarmo-nos dos maus hábitos que nos separam uns dos outros. Então será possível amarmo-nos uns aos outros. Só o amor é capaz de instilar nas sociedades humanas a ordem que o instinto não consegue.
Uma mistificação que também deve ser clarificada é a profunda confusão que existe entre amor e sexo. A seguir à fome, o desejo sexual é o impulso físico mais forte da humanidade. Deus, ao criar o homem e a mulher, deu-lhes a ordem sagrada de crescer e multiplicar-se. No entanto, esse impulso construtivo pode degenerar em destrutivo. Ele não se confina à mera propagação da espécie; envolve toda a personalidade emocional, nervosa e racional do indivíduo. O sexo é uma força dominante, mas tem que ser controlada e até sublimada.




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