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Zona pedonal e ciclável – ver para crer

Os 37 anos de gestão socialista com o mesmo presidente na Câmara de Braga foram, politicamente, um erro histórico; primeiro, porque vivemos num tempo em que as inovações e mudanças acontecem a uma velocidade estonteante, basta pensarmos na evolução tecnológica; e, segundo, porque, agora, o PS local, até à escolha do verdadeiro líder, terá de fazer a costumada travessia do deserto. Depois, a permanência no poder, político ou outro, cria dependências, rotinas e vícios, embota a imaginação e a criatividade e obstaculiza a inovação e mudança; e os poderes instalados alvos privilegiados são de manipuladores, embusteiros e corruptores.

Dinis Salgado
13 Nov 2013

Braga, a meu ver, nestes 37 anos de gestão socialista sofreu, por exemplo, de elefantíase que é uma doença crónica, caraterizada por um anormal aumento de volume e numa só dimensão; assim, apostou-se demais no cimento, nó alcatrão e no granito, negligenciando o crescimento ordenado, sustentado e ecológico de toda a cidade.
Vejamos o que se passa com o rio Este e zonas abrangentes. Sempre, aqui, pugnei por um rio despoluído, saudável e apetecido, porque uma cidade sem rio é uma cidade menos procurada, fruída e desejada; o que seriam Lisboa e Porto sem os seus majestosos rios?
Ao longo dos últimos anos, o nosso rio sofreu tratos de polé: construção de prédios nas suas margens, empedramento do seu leito, desvio do seu rumo, poluição quanto baste; e tudo numa perspetiva consentida de progresso e modernidade.
Agora, antes de se retirar da presidência, Mesquita Machado, numa ação de pré-campanha eleitoral, inaugurou à pressa uma zona pedonal e ciclável ao longo das suas margens, desde a avenida D. Frei Bartolomeu dos Mártires até à Ponte Pedrinha. Só que tudo que é feito apressadamente tendência tem para sair torto e deficitário; e, assim, no seu traçado, alguns defeitos há para corrigir e pontos negros a eliminar que o novo presidente Ricardo Rio já prometeu levar avante, bem como a sua ampliação até ao Complexo Desportivo da Rodovia.
Já percorri, como pedestrianista, algumas vezes esta via e o que se me oferece dizer é que a convivência entre ciclistas, atletas e peões não é fácil, nem segura; e o ideal seria, sustentando as sinergias existentes, criar alternativas viáveis: alargando, sinalizando ou limitando.
Pois bem, uma coisa é certa: os bracarenses acolheram e usam com entusiasmo esta via e quem a percorre usufrui de espaços e paisagens, até então, desconhecidos, mas surpreendentemente agradáveis e repousantes; e, então, a zona dos Galos, embora em estado de confrangedora degradação, surpreende pela sua insólita atração (aqui fica um apelo e, ao mesmo tempo, um desafio ao novo executivo autárquico para que esta seja a primeira e histórica obra do seu mandato).
Todavia, vendo para crer, esta zona pedonal e ciclável já devia ter sido pensada e executada, pelo menos, há 30 anos; só, assim, se teriam evitado erros, desmandos e atropelos (hoje dificilmente sanáveis) e legado aos bracarenses teria sido um espaço de lazer, convívio e desporto de excelente qualidade, potencialidade e merecido usufruto. Mas, só a grandes homens cabem grandes desígnios; e destes, pela sua escassez, pouco reza a história.   
Então, até de hoje a oito.




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