Fotografia:
Erasmo de Roterdão

Um dos nomes do passadoque ainda ecoa no tempo
presente é o de Erasmo
de Roterdão (Holanda).
Basta ter presente o programa da
União Europeia intitulado Erasmus,
que visa apoiar as atividades
europeias das instituições
do ensino superior e promover
a mobilidade e intercâmbio de
professores e alunos.

Manuel Fonseca
12 Nov 2013

Erasmo foi uma destacada personalidade
do tempo do renascimento
com uma larga cultura,
que percorreu e habitou em várias
capitais europeias, tornando-
-se “o guia intelectual dos seus
contemporâneos”. Um dos países
em que mais se demorou
foi a Inglaterra, sobretudo Cambridge
e Londres, onde lecionou
grego e teologia.
Foi religioso dos Canónicos
Agostinhos, mas foi também
um espírito livre para criticar,
pela ironia e ridículo, muitas
das instituições e pessoas coetâneas.
Escreveu vários livros que tiveram
enorme aceitação no seu
tempo e nos séculos seguintes,
nomeadamente o Encomium Moriae
(Elogio da Loucura), que dedicou
ao seu amigo Tomás More
(hoje, São Tomás More), chanceler
do Reino Unido e vítima
do rei Henrique VIII.
Esta obra tem como narrador
a loucura personificada. É ela
que conduz o fio duma história
chocarreira e que ajuda a levantar
o espírito abatido dos leitores.
Possui uma grande incidência
da mitologia grega e romana
no atinente a nomes e seus
significados. Podemos classificá-
la pelo ditado latino “ridendo
castigat mores”, a rir se corrigem
os costumes.
Citarei alguns exemplos das afirmações
de “sua excelência”, para
melhor se conhecer a índole da
obra. A respeito da insensatez
dos conflitos bélicos: “A não ser
que prefira soldados como Demóstenes,
que, dócil aos conselhos
de Arquíloco, deitou fora
o escudo para melhor fugir, mal
viu aparecer o inimigo. Era tão
cobarde no combate como sábio
da tribuna… A nobre guerra é
feita por parasitas, infames, ladrões,
assassinos, imbecis, devedores,
escroques, em suma,
pela escória da sociedade, e não
pelos filósofos, por maiores que
sejam as suas vigílias”.
A respeito dos legisladores, afirma
o seguinte: “Depois dos médicos,
são os homens das leis
que merecem o segundo lugar
e não sei mesmo se não mereceriam
o primeiro. A crer na
opinião unânime dos filósofos, a
sua profissão é digna de asnos.
Porém, são estes asnos que governam,
a seu grado, as grandes
e as pequenas causas”.
Sócrates também é bafejado por
causa da sua filosofia, afirmando
de que nada compreendia da
vulgar existência humana quando
se ocupava em filosofar sobre
as ideias e sobre as nuvens, a
medir matematicamente a pata
duma pulga ou a observar o
zumbido duma mosca.
A loucura, nas mais diversas
formas e tamanhos, não é algo
inédito ou afastado em nossos
dias e nos mais diversos campos
de atuação, nomeadamente
a nível político e governamental.
Quantas medidas, decretos e leis
entram no domínio da insensatez,
tão desajustadas elas são!
Não é necessário ter um espírito
avançado em conhecimentos
técnicos para ver a sua irracionalidade.
Ser justo, moderado e alegre faz
falta. E é bom.




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