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Cristãos na mira da intolerância

A democratização do mundo é uma tarefa árdua e difícil, como o tem sido também a sua evangelização por parte da Igreja Católica, a qual conta com inúmeros mártires ao longo dos séculos de propagação da palavra de Cristo, pelas constantes perseguições aos seus discípulos. Mas as lutas travadas na implementação da democracia e, por conseguinte, na reposição dos direitos humanos (cuja expressão dos seus valores se evidencia na Doutrina Social da Igreja), essas, têm deixado um rasto de morte, destruição e dor dada a resistência dos ditadores em abandonar o poder ao direito e à liberdade dos povos escolherem os seus próprios destinos.

Narciso Mendes
11 Nov 2013

No entanto, muito do que se tem verificado, em termos de conflitos, poderia ter sido evitado se fosse usada a inteligência, com sabedoria, em eficazes e profícuas negociações de entendimento, evitando-se desta forma guerras desnecessárias.
A inércia e a impotência que se tem verificado por parte da ONU, na observação e mediação para a resolução do conflito latente na Síria, só tem demonstrado que não lhe incumbe a decisão de operacionalidade militar, mas sim à maior potência que opera em termos de ingerência bélica nos países, sobretudo árabes, potenciando ódio e vingança: os EUA. O que transforma, em certa medida, as Nações Unidas numa figura decorativa que apenas se limita a actuar no pós-guerra, não tendo sequer conseguido elaborar um plano estratégico que, neste caso e a meu ver, passaria pelo uso da Rússia como mediador privilegiado em procurar uma hipotética solução para o conflito. Impasse este que, prevalecendo, se vai traduzindo numa avultada receita para o negócio das armas, enquanto uma onda de violência e verdadeiro terror impera em Damasco, e arredores,com uma guerra civil que já causou, em dois anos e meio, mais de 115.000 mortos, homens, mulheres e crianças. De entre os quais cerca de um milhar sucumbiu ao uso de armas químicas, num autêntico massacre levado a cabo pelas forças em presença que, por entre acusações, negações e relatórios, se concluiu que a culpa morreu solteira.
E porque esta luta da oposição para derrubar a ditadura de Bashar al Assad, com a finalidade de instaurar um regime democrático na Síria foi acontecendo de qualquer maneira, ao sabor de uma guerrilha descontrolada e confusa, só veio aproveitar aos radicalistas islâmicos, a fim de levarem por diante os seus propósitos, contando-se de entre eles o grupo fundamentalista armado “ISIS” (denominado do Levante e apoiado pela Al-Qaeda) a fomentar uma guerra santa, com atroz violência, pondo os cristãos sírios na mira da sua intolerância infligindo, de forma cruel, duros ataques aos seus templos, lançando fogo ao seu interior, derrubando as cruzes das suas cúpulas e hasteando, em seu lugar, as negras bandeiras do ódio. O que nunca havia acontecido no regime vigente em que, estando perfeitamente inseridos, sempre haviam sido respeitados pela maior parte da comunidade muçulmana.
Para complicar as contas da previsão do estabelecimento de uma Primavera Árabe na Síria, são já cerca de 100.000 os “jihadistas” infiltrados entre os rebeldes a espalhar a violência, pouco lhes importando que a democracia seja ou não uma realidade, pois o que lhes está intimamente subjacente é o terror fazendo prevalecer, pela força das suas armas, os seus ideais de barbárie até ao extermínio, chegando a perseguir e a decapitar os que tentam escapar às suas garras tentando impor, de forma rigorosa, a “sharia” (lei islâmica).
Ora, enquanto não se vislumbra uma solução diplomática para o conflito na Síria, com a inevitável saída de Bashar al Assad, continuarão a ser ceifadas milhares de vidas humanas. E juntando aos mortos, a dramática fuga para fora do país de milhares de refugiados, entre os quais crianças órfãs, abandonadas, doentes e com os cristãos fora de cena, aquela nação ainda correrá o risco se tornar o paraíso das células armadas da Al-Qaeda.




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