Fotografia:
A cegueira

Eu não sei se o PS entende o que nós entendemos. Nós queremos e desejamos avidamente uma cooperação com os partidos da oposição, principalmente com o PS. As razões são óbvias; não queremos saber, mesmo nada, das estratégias partidárias. Nós entendemos que quem não quer ajudar Portugal a sair da escravatura imposta pelo FMI, não está connosco, não partilha da mesma ansiedade, não é digno da nossa confiança. Nós entendemos que quem não está com o País está contra ele e, neste maniqueísmo, a fronteira entre o bem e o mal é-nos completamente percetível.

Paulo Fafe
11 Nov 2013

Nós compreendemos muitíssimo bem que os investidores se retraiam perante as opções do PS porque ninguém investe num País que pode ter um governo que, à partida, declara gastar mais do que o país produz, que anda a prometer farturas a granel e que, por causa disso, não poderá cumprir os compromissos a que o estado se comprometeu. Já não é o sr. engenheiro José Sócrates que está em causa, é a credibilidade de Portugal como um todo que está a ser avaliado. Quem de nós colocava dinheiro numa instituição financeira sabendo que ela não pagaria os juros prometidos, nem amortizasse o capital? E se víssemos que essa instituição gastava em vez de amortizar a dívida? Nem mais um cêntimo. Por isso eu tenho dito muitas vezes, governem o país como uma  dona de casa governa a sua casa. Ela sabe o que tem e o que pode gastar. Ela sabe onde pode gastar e onde pode poupar. Ela sabe repartir por todos com equidade e parcimónia. Ela até sabe depositar em poupanças. Ela sabe que se o ordenado não chega, se é curto, é preciso de duas uma: ou pede emprestado ou aumenta o rendimento. Parece que as cadeiras da governação complicam o que é simples. Claro que a casa estado tem outras complexidades, mas a base de governação é a mesma. Onde não há, não se pode tirar. Por outro lado, muita gente julga que neste país só se devem privilegiar os trabalhadores! A dona de casa não estabeleceria um privilégio apenas para os filhos, também sabe que o marido é a fonte de rendimento de todos e merece todo o cuidado para continuar a ser o capital de sua casa. Ela sabe que há direitos, deveres e garantias dos dois lados. E enquanto os filhos e os pais não entenderem que os seus sangues são da cor da casa onde vivem, nem uns nem outros encontrarão a dignidade e a paz da coexistência. Isto é lirismo quando transportado para o estado? julgo que é uma realidade tão eminente nos nossos dias, que deixa o lirismo de casa virar uma realidade premente de estado, ou melhor não permite que a partidarite acabe com o partidarismo do nosso sistema político. Os portugueses não suportam ver lutar os partidos uns contra os outros e perguntam, porque não lutam uns ao lado dos outros? Lirismo, ou são os interesses de Portugal que estão em causa? Ninguém fará de Portugal um país soberano financeiramente sem investimento estrangeiro, ou nacional.
Senhores do PS ajudem a isto se querem ganhar as próximas eleições, senão, não. Há sinais de desconfiança para investir em Portugal e a culpa começa a cair para o lado do PS. Sondem a rua depois avaliem. É por culpa desta desconfiança que Portugal empobrece. O investimento dá emprego e com ele a dignidade social. O PS está na hora da opção como nunca esteve: ou escolhe os interesses de Portugal ou escolhe os interesses do partido. Nunca poderá ficar a ganhar pelos dois lados. Uma dona de casa sabe isto e muito mais. Não foi então por acaso que Saramago, no “Ensaio sobre a Cegueira”, deixou uma mulher com visão clara a dirigir uma comunidade de cegos.




Notícias relacionadas


Scroll Up