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Reabilitação de edifícios antigos

Noventa e cinco por cento dos residentes na cidade de Braga gostam de viver cá. Este é o resultado de um inquérito levado por diante em 79 cidades europeias (Portugal esteve representado por Lisboa e Braga), através de um estudo eurobarómetro da Comissão Europeia, assente em indicadores avaliados, nomeadamente infra-estruturas sociais existentes, facilidade em encontrar emprego e habitação, segurança, prestação de serviços administrativos e escolares e qualidade de vida e ambiental. Esta notícia foi publicada em vários jornais, mormente no Diário do Minho de 9 de Outubro passado, a toda a página 7, com destaque de anúncio da mesma na 1.ª página – imagem da parte florida da Avenida da Liberdade.

Sampaio Castro
10 Nov 2013

Os bracarenses podem sentir-se orgulhosos deste sucesso reconhecido e “exigirem” que tal patamar seja mantido.
Para isso, entre outras iniciativas, há que ter em conta, talvez como prioritária, a regeneração do casco urbano / centro histórico da cidade. As obras de superfície estão feitas; há, pois, que atender ao edificado, dar-lhe vida nova, aproveitando o programa estratégico de reabilitação existente, a desenvolver ao longo dos próximos anos, com acertos, nomeadamente, melhores identificações de custos e fontes de financiamento. O envelhecimento do parque habitacional nos centros históricos é motivo de preocupação evidente, denotando uma degradação crescente nos edifícios e que prejudicam substancialmente os espaços onde estão inseridos. O conceito de reabilitação supõe o respeito pelo carácter arquitectónico do edificado, não devendo confundir-se com a noção mais estrita de restauro, que implica a reconstrução da traça primitiva, pelo menos nas fachadas e coberturas.
Falar de reabilitação urbana equivale a criar bolsas de arrendamento, habitacionais, comerciais e de serviço no centro histórico. E reabilitar o património edificado corresponde a menos desperdícios de recursos, se for realizado de modo sustentável e redução de gastos energéticos futuros. E há programas nacionais de reabilitação que podem e devem ser utilizados. O Estado não pode demitir-se da responsabilidade que assumiu de que a reabilitação urbana era uma questão estratégica para o país. E a estes programas se junta o próximo Quadro Comunitário de Apoio 2014-2020, numa altura em que o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional – Castro Almeida, que conheci e com quem trabalhei quando foi administrador da CCR Norte, ocupando outros cargos públicos e estatais, tendo sido na parte final presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, que quer descentralizar as Regiões no uso destas verbas, cujo currículo atesta maturidade no saber homologar o que é mais benéfico para o país, os municípios tem que estar bem apetrechados com projectos convincentes para aproveitamento dos fundos comunitários, que serão o grande “alimento” financeiro dos mesmos. Numa altura em que há pouco dinheiro, reutilizar significa fazer muito com pouco.
Na Europa a reabilitação urbana representa, números redondos, 37% de toda a produção da construção; em Portugal fica-se por um valor que não chega aos 7%.
Isto diz muito. Há, pois, que avaliar o presente e perspectivar o futuro. Uma cidade projecta-se também pelo que faz pelas pessoas que nela vivem. Braga continua a ter todas as condições favoráveis para se manter na frente a nível nacional e internacional.
A reabilitação urbana é um “medicamento” de tripla acção.
1.º – A aposta neste ramo e sua potencialidade deve ser aproveitada, anima a construção civil, área multiplicadora de várias actividades e a economia nacional precisa muito dela, porque fomenta o emprego;
2.º – Dá oportunidade aos nossos projectistas (arquitectos e engenheiros), que os há de reconhecido valor e confirmados internacionalmente pelo que fizeram e fazem em prol desta arte;
3.º – Contribui para a utilização mais acentuada do centro histórico e atracção do mesmo – se queremos continuar a viver nas cidades, estas tem que continuar vivas, bem vivas.




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