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Portugal

Portugal, passado e presente: Entre o final do século XIX e o início do século XX, a população portuguesa rondava os 5,5 milhões de habitantes, a emigração era uma realidade marcada, deixando o país cerca de 30000 portugueses por ano, sobretudo com destino ao Brasil e o rendimento per capita era de 45% da média dos países desenvolvidos. Nessa altura, na sequência de um modelo de governação e desenvolvimento impulsionado por Fontes Pereira de Melo, construíram-se obras públicas como se não houvesse amanhã.

Luís Sousa
10 Nov 2013

A consequência foi óbvia: A dívida pública disparou e o governo português acabou por declarar a bancarrota parcial do Estado. Hoje somos mais, sabemos mais e estamos melhor mas ainda ganhamos pouco comparativamente com os vizinhos europeus, ainda somos um país de emigrantes e ainda temos governos que, à imagem daqueles tempos, endividam o país sem pensar nas gerações seguintes. E aí, José Sócrates e outros da sua equipa têm muitas responsabilidades. Afinal de contas fizeram disparar a nossa dívida pública de 62% do PIB em 2005 para 122% do PIB, valor que só encontra paralelo nos anos quentes do final da Monarquia em Portugal.
Portugal e Angola: Este anúncio contundente do fim da parceria estratégica entre Portugal e Angola anunciado pelo Presidente de Angola fez-me também regressar ao longínquo tempo do Ultimato Inglês em 1890 (salvo também as devidas diferenças, claro).
Já bastava a nossa crise económica, temperada, de vez em quando, por períodos de crise política, para agora, a estas se juntar uma crise entre dois Estados com troncos comuns. A importância de Angola para Portugal não advém apenas das raízes históricas que nos unem, mas também, e especialmente, de fatores de natureza económica e social. É o 4.º país para onde escoamos as nossas exportações, é o ganha-pão de milhares de emigrantes portugueses que por lá trabalham e são inúmeras as empresas com negócios em Angola, assim como é grande o capital angolano investido em empresas portuguesas. Quanto aos responsáveis por esta crise, acredito que o ministro dos Negócios Estrangeiros “meteu a foice em seara alheia” ao pedir desculpa a Angola num assunto que diz respeito à Justiça e não ao Governo. No entanto, as labaredas que por aqui se fizeram à volta do caso, nomeadamente por parte da oposição, também não foram, no meu entender, benéficas para o país. Mas enfim, para alguns, o que interessa é gerar entropia! Quanto ao Presidente de Angola, percebo que sinta um certo mau estar por altas patentes angolanas (inclusivamente as próprias filhas) estarem sob investigação em Portugal. É natural. No entanto, aqui, a Justiça, por muitos defeitos que tenha, funciona ao seu ritmo e independentemente dos governos e do estatuto de quem está sob investigação. Não sei como é em Angola, mas aqui, em matéria de Justiça, felizmente, o governo não mete a colher. Que eu saiba!
Portugal e as Autárquicas: As autárquicas vieram, de certa forma, contribuir para assentar a poeira da crise política nacional de julho. Este é sempre um período quente da vivência democrática, onde as conversas entre vizinhos às vezes sentem o azedume das divergências políticas, os jogos de bastidores fervilham por todo o lado e as campanhas são suadas até ao fim.
No final, o PS cantou vitória, mesmo conhecendo o sabor amargo da derrota nas Câmaras de Braga e do Porto, o PSD respirou de alívio porque, apesar de tudo, podia ter sido pior, o CDS regozija-se porque, a reboque do partido da coligação, aumentou a sua representatividade, o PCP ganha novo fôlego e o BE dá o último suspiro ao perder a única Câmara que detinha.
Portugal e a FIFA: Sobre Joseph Blatter apraz-me dizer que gosto mais de futebol do que ele. Quem fala assim do melhor jogador português da atualidade não pode gostar da bola! Aos 78 anos, depois de três longas décadas a trabalhar na FIFA, fala ao jeito de um novato inexperiente que entrou na instituição há uns dias e ainda não tem o tento na língua que devia ter alguém com as suas responsabilidades. Se jogasse futebol, diria que Joseph Blatter, com esta tirada, estava nitidamente em fora de jogo. Quanto a Ronaldo, esteve tão bem fora de campo como costuma estar lá dentro. Respondeu com classe!




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