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Um olhar em redor

A crónica, segundo opiniões abalizadas (leia-se críticos competentes), situa-se nessa linha entre o jornalismo e a literatura, sendo um dos géneros mais difíceis e complexos, mas ao mesmo tempo mais livres e reveladores da capacidade, ou qualidade, de um autor, independentemente do seu estilo ou forma de manejar o respectivo idioma. Em Portugal, a crónica tem uma tradição muito rica principalmente a partir do século XIX, bastando citar Latino Coelho, Câmara Lima e Ramalho Ortigão, dos maiores entre vários outros do seu tempo.

Joaquim Serafim Rodrigues
9 Nov 2013

Escrever uma crónica é, portanto, algo complicado, pois importa “prender” o leitor logo de início, utilizando a concisão sem deixar de ser claro e acessível na linguagem, ao abordar um tema quer ele seja actual ou não mas que tenha sempre interesse, conteúdo (há quem fale ou escreva muito sem dizer nada), emitindo o autor através dela a sua opinão, a qual pode não ser a melhor mas que revela, ao menos, sentido crítico apurado e poder de observação. Resumindo: trata-se de escrever um texto concebido de forma livre e pessoal.
Posto isto, e deixando, por hoje, de “bater no ceguinho do costume” (só que ele e seus comparsas não deixam de expor-se) importa mudar de tema evitando fatigar o leitor. Assim, e nesta minha já longa peregrinação pelo campo das letras e seja qual for o assunto que aborde (perdoem-me a imodéstia mas acho que sou, de certo modo, um cronista versátil) sempre tenho pautado as posições assumidas tendo em vista a maior atenção e, outrossim, total respeito pelas opiniões contrárias.
Ninguém é senhor da verdade, a qual tanto pode ser formal como material, mas nem sempre condizente com a realidade, ou seja aquilo que de facto existe – a verdade absoluta, indiscutível. É bom, imperativo mesmo, sabermos ouvir os outros, o seu modo pessoal de ver as coisas e os acontecimentos, corrigindo as nossas atitudes se for caso disso, mas repudiando pretensionismos balofos e descabidos, não alinhando também no “politicamente correcto” o que, sendo cómodo, é normalmente contráro ao bem-comum.
Prosseguindo: discordar é preciso, usando de boa-fé e respeitando os demais, independentemente das suas convicções políticas, religiosas ou outras, pois de tudo me ocupo com perfeita noção das minhas limitações.
Continuando a discorrer, direi que não existem duas pessoas iguais, tal como não há duas árvores iguais, sequer dois ramos apenas, nisto residindo, nestas diferenças, o encanto da vida – observados que sejam certos princípios inalienáveis de todo, tais como rectidão de carácter, lealdade, sinceridade e desprendimento quando se ajuda alguém que dela precise.
Não tenho em mente filosofar, pois sei que os tempos agora são outros, os assuntos e as notícias que mais impacto provocam são de natureza bem distinta, quase não deixando margem a ninguém para lirismos, sonhos ou fantasias. Mas o Mundo actual
é assim, por mais que os “moralistas” afirmem o contrário, cheios de boas intenções (será que as têm?), sugerindo e prometendo mudanças sempre para melhor, tendentes a minorar sofrimentos, injustiças, desigualdades, uma vida mais digna para todos, enfim! Não obstante, aqui deixo uma palavra de conforto para todos aqueles que mais sofrem (nunca foram tantos como agora) e, também, de confiança em dias melhores que acabarão por voltar. Utopias? Quimeras? Tenhamos presentes este belo pensamento de um poeta inglês do século XIX: “Nenhum pássaro voa alto de mais se voa com as próprias asas”.
É tudo por hoje.




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