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Para onde levaram a Educação deste país?

“Tende em mente que tudo o que se aprende na escola é trabalho de muitas gerações. Recebei esta herança, honrai-a, e, um dia, fielmente, depositai-a na mão dos vossos filhos”. Albert EinsteinA Escola Pública está enferma e cheia de entorses de tantas reformas que lhe injectaram ao longo dos anos. Não houve governo nenhum que não quisesse deixar a sua marca indelével na pasta da Educação. Era um imperativo governativo mexer conspicuamente no sistema educativo para que tudo ficasse pior. E de que maneira.

Armindo Oliveira
9 Nov 2013

Cada mexida gerava mais confusão, mais perplexidade e novas reformulações no quotidiano das escolas. O caudal reformista não dava tréguas à sensatez e à tranquilidade que é exigida a todos que orbitam na esfera da vida escolar. Reformas sem alma e sem nexo. Sem horizontes e sem fermento. Eleitoralistas e demagógicas, mas sempre com mudanças permanentes e sempre com “ideias geniais” para tornarem a Escola numa “coisa” amorfa, insegura e conflituosa, bem à imagem da mediocridade política instalada.
Os responsáveis políticos desconheciam ou faziam de conta que desconheciam que o mundo escolar é muito frágil e muito complexo. Frágil e complexo, porque lida com gente, com sentimentos, com vivências, com afectos e com futuros. Lida com sonhos e com esperanças. É aqui que se constrói um país a sério e se desbrava o campo das mesquinhices e da ignorância. É aqui que as aspirações de um povo se enraízam, os sonhos se materializam e a vida se projecta para além das barreiras míopes dos sectarismos partidários.
Os políticos centraram as reformas nos alunos, formatando-os como meninos intocáveis e mimados. Os alunos, agora, omnipotentes e superprotegidos encaram a Escola como um espaço privilegiado de convívio, de ócio e de brincadeira. Um espaço amigo e conivente para satisfazer as patifarias grupais que levam à execução de rituais de “bullyings” e de outros actos impróprios de alunos que não querem ter futuro. Os políticos reformaram horários, currículos, programas sempre com a ideia presente de facilitar e para nivelar os alunos pela fasquia mínima, uma vez que estudar é uma tremenda seca e uma perda de tempo irrecuperável. Os políticos introduziram exames de faz de conta para fazer de conta que o sistema funciona e a avaliação do mesmo sistema se faz isenta, exigente e ponderada.
Os políticos infernizaram a vida aos professores, dando-lhes papelada, muita papelada para os consumir. Empestaram a Escola com actas, relatórios, projectos, planos, portefólios e outras coisas afins, roubando ao professor o tempo precioso para se dedicar, efectivamente, à sala de aula, aos seus alunos e ao ensino propriamente dito. Os políticos criaram agrupamentos de escolas para depois se tornarem em mega-agrupamentos numa “salsichada” intragável com a intenção clara de despedir. A Escola tornou-se numa realidade surrealista.
Há dias, o JN noticiou que um aluno hiperactivo de seis anos de idade (!), fechou uma escola de Mangualde, devido aos maus comportamentos tidos com a professora e com os colegas de turma. Desde mordidelas à professora, pontapés aos colegas, destruição de mobiliário, tudo foi permitido ao garoto de seis anos de idade (!), sem que houvesse uma mão bendita que o pusesse na ordem e na linha como seria exigível. Este episódio é simplesmente inacreditável e inaceitável numa sociedade moderna e responsável. Numa Escola que se intitula de reformista, mas que se esqueceu de reformar a autoridade do professor, a disciplina dos alunos e o rigor das aprendizagens.
Foi esta a Escola, sem autoridade, desnorteada e sem carácter e sem vínculo disciplinador, que construímos ao longo dos tempos. Ninguém põe mão e travão a esta avalanche de comportamentos degradantes que vai destruindo esta “herança de gerações”. É caso para se perguntar: Para onde levaram a nossa Escola?




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