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Do liberalismo ao neoliberalismo

Baseada nas ideias de Adam Smith, a teo-ria liberal surge no século XVIII e volta a ganhar força a partir de 1970. Em plena época do Iluminismo, Adam Smithtornou-se um dos principais teóricos do liberalismo económico. A sua principal teoria baseava-se na ideia de que deveria haver total liberdade económica para que a iniciativa privada pudesse desenvolver-se, sem a intervenção do Estado. A livre concorrência entre os empresários regularia o mercado, provocando a queda de preços e as inovações tecnológicas necessárias para melhorar a qualidade dos produtos e aumentar o ritmo de produção.

Maria Fernanda Barroca
9 Nov 2013

As ideias de Adam Smith tiveram uma grande influência na burguesia europeia do século XVIII, pois atacavam a política económica mercantilista promovida pelos reis absolutistas.
A teoria de Adam Smith foi de fundamental importância para o desenvolvimento do capitalismo nos séculos XIX e XX. Entramos na era do «Estado providência». A criatividade esmorecia e dava lugar ao recurso ao Estado, por parte dos empresários, que assim se demitiam dos seus deveres.
A principal obra de Adam Smith, foi A Riqueza das Nações escrita em 1776. Nesta obra Adam Smith procurou diferenciar a economia política da ciência política, a ética e a jurisprudência. Porém, a teoria principal defendida por Adam Smith nesta obra é a de que o desenvolvimento e o bem-estar de uma nação advêem do crescimento económico e da divisão do trabalho. Esta última, garante a redução dos custos de produção e a queda dos preços das mercadorias. Defende também a livre concorrência económica.
Nas últimas décadas do século XX, a expressão “neoliberalismo” passou a fazer parte não só do dia a dia de economistas, mas, também, do noticiário jornalístico, que difundiu o termo para toda a sociedade.
Obviamente, para haver um “neoliberalismo”, é preciso que tenha havido, anteriormente, um “liberalismo”, como doutrina económica.
“O liberalismo vem do individualismo. As três questões básicas do liberalismo são a garantia da propriedade privada, a garantia dos excedentes monetários e a liberdade de usar os excedentes monetários, para qual se usa a doutrina de Adam Smith” (Valter Duarte Ferreira Filho).
Para ele, existiria uma tendência natural do ser humano para a troca e a fraude, na busca para saciar os seus próprios interesses. É como se a sociedade se beneficiasse como um todo, porque cada um estaria a procurar o melhor para si. E isso de forma natural, automática, sem a necessidade de nenhuma intervenção estatal.
 “Os homens, produzindo para a própria subsistência, têm tendência natural para troca. O excedente da produção de cada indivíduo seria usado para trocar por mercadorias que eles não produziam. Procurando o melhor para si, dá o melhor para os outros, sem pensar nisso, sem benevolência alguma” (Valter Duarte Ferreira Filho).
Uma das expressões mais comuns associadas a Adam Smith e à teoria liberal é a “mão invisível”, isto é: o que levava os indivíduos a promoverem o bem-estar da sociedade de forma inconsciente, apenas com o objetivo de atender aos próprios interesses. “A mão invisível, na verdade, é a tendência natural dos homens para a troca, em outras palavras, a natureza criada por Deus é a tendência divina dos homens para a troca”, explica Valter.
Mas para que haja essa troca, é preciso haver excedente de produção. E este excedente de produção é obtido por meio do trabalho. Desta forma, os indivíduos teriam interesse em trabalhar de forma cada vez mais eficiente para que possam ter um maior stock do produto de seu trabalho, necessário para se trocar por outros bens de interesse, e guiados pelo interesse individual, vão gerar riqueza coletiva, prescindindo assim do Estado.
Se o liberalismo nasce no século XVIII, o neoliberalismo é criação do século XX. Para muitos, não há diferenças entre liberalismo e neoliberalismo.
O liberalismo começou a deixar de ter sucesso com os meios empregues na crise de 1929, por meio do estado de bem-estar social; o neoliberalismo ganha destaque com a crise capitalista dos anos 1970. É neste contexto que surge a globalização de mercados, a defesa de uma maior desregulamentação económica, com privatizações de empresas estatais e diminuição das garantias dos trabalhadores.




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