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Um saber de experiências feito…

Senso comum chama-se ao tipo de conhecimento adquirido pelo homem a partir de experiências, vivências e observação do mundo. É uma forma de conhecimento vulgar ou popular, que se caracteriza por conhecimentos úteis no quotidiano, acumulados ao longo da vida e passados de geração em geração. O senso comum é uma herança cultural, que tem a função de orientar a sobrevivência humana nos mais variados aspectos. Através do senso comum, uma criança aprende o que é o perigo e a segurança, o que pode e o que não pode comer, o que é justo e o que é injusto, o bem e o mal, e outras normas de vida que vão direccionar o seu modo de agir e pensar, as suas atitudes e decisões.

Maria Susana Mexia
8 Nov 2013

Engloba costumes, hábitos, tradições, normas, éticas e tudo aquilo que se necessita para viver bem. De maneira espontânea e sem querer as pessoas utilizavam-no quase a todo o momento em forma de provérbios, ditados populares, quadras, etc. Muitas gerações foram moldadas sob sentença popular, que dia após dia, se foi infiltrando no nosso ouvido e tomando força de lei.
Era ainda uma forma indirecta de nos darem um raspanete cheio de autoridade… “Pelo andar da carruagem, logo se vê…” ou “Diz-me com quem andas, dir-te-ei…” e tantos outros sem fim que vagueavam pelos ambientes de então, mas tinham o condão de serem certeiros e atingiam sempre o objectivo pretendido.
Talvez à força de tantos ouvir e gostar de repetir, ainda hoje são uma paixão que não abdico de acrescentar ao latim das minhas advertências, diálogos, ou seja, quase sempre. Sem grandes pedagogias, psicologias, sociologias ou outras ias, sai uma expressão popular, ou antes: “A voz do povo é a voz de Deus” e ponto final, às urtigas as teorias cientificamente comprovadas, tipo pasta de dentes, e o pessoal lá fazia o que devia sem respingar, percebia logo o que estava mal e porquê, sem mais argumentos nem conversas de dar a volta…
Com muita pena minha, hoje esta força educativa e formadora passou de moda, muitos pais já não sabem provérbios e os avós, se ainda se recordam, são abafados e apelidados de tudo o que possa cheirar a naftalina…
É pena, é uma parte do saber humano muito rica e enriquecedora, douta e com humor, que se vai perdendo em prol dum silêncio, por vezes sepulcral, que se abate entre a família, a TV, o Telm, o PC, o…, o….
Às mãos chegou-me uma hipotética redacção, do tempo em que os meninos ainda faziam essas coisas a mando dos professores e não eram consideradas como exploração infantil. É um texto tão básico quanto banal e até, talvez, nada original, mas adorei e pensei em tantos avós que, excedendo o seu limite de generosidade, nos nossos tempos ainda têm a tarefa acrescida de acompanharem os netinhos, os quais, nem sempre, definiriam com tanto afecto esses segundos pais a quem dói mais a forma incorrecta com que são tratados, do que as maleitas e os desgostos da idade.




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