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Sementes de ouro

A Cidade Europeia do Desporto’ 2013 organizada em Guimarães, durante o presente ano, foi considerada “a melhor CED de sempre” e distinguida com a “Bandeira de Ouro”. Esta distinção, entregue pela ACES Europe, realça o “empenho e entusiasmo” e pela “inclusão” de todos os grupos etários, de género e condição física nas diversas atividades organizadas. Foi enaltecida a capacidade do cumprimento na totalidade da missão e objetivos que envolvem esta organização. Foram mais de uma centena de eventos, em 36 modalidades distintas, com a participação de 700 mil atletas, 400 voluntários e 250 dias de atividades, em diversas áreas como a investigação, formação, colóquios, conhecimento, atividades desportivas, recreativas e culturais.

Carlos Dias
8 Nov 2013

Durante um ano, com toda esta dinâmica imposta, é extremamente complexo conseguir envolver, promover e dar qualidade organizativa a um plano de atividades tão extenso, mas a cidade de Guimarães conseguiu-o fazer com mestria. Foram vários os fatores que conduziram a este “sucesso”. Digamos que o mais importante foi o próprio entusiasmo e competência da liderança, mas também o envolvimento da população e as sinergias criadas em diversas áreas de intervenção.
O investimento não foi “significativo”, quando comparado com a organização da Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012, o que releva ainda mais o seu sucesso organizativo. Não é difícil produzir quando há muitos meios disponíveis, o difícil é criar estruturas e sinergias que favoreçam a dinâmica desportiva sem grandes recursos, e isso foi plenamente atingido por esta organização.
E agora? Agora, é necessário recompensar a cidade, prolongando todas as atividades que envolvam a sua população, dar seguimento a todos os agentes formados durante estes longos meses, persuadir a mudança do comportamento de risco e inatividade e influenciar os estilos de vida saudável das pessoas. As sementes foram criadas, agora é necessário aparar o crescimento e um dia teremos os frutos de todas estas ações realizadas.
A principal ilação, perante este tipo de organização, é que é possível fazer melhor, organizar mais e ser mais recompensado quando todos os agentes se envolvem, se esforçam, sem olhar a clubites e se dedicam às causas, sem defender unicamente interesses e benefícios pessoais.
É interessante pensar que este evento poderá abrir mentalidades e produzir mudança na compreensão, na forma de pensar e agir. É evidente que para haver mudanças comportamentais não chega um só ato, é necessário quase que incessantemente investir e melhorar os contextos específicos de prática de exercício físico e desportivo, de forma a que as pessoas/clubes possam assumir as escolhas mais corretas e esclarecidas, delineando um plano de atividade física ao longo da vida, ou melhorem as dinâmicas e organização do contexto de treino e competição do processo desportivo.
Aliás, o que distingue os países mais evoluídos desportivamente é que são muito consistentes nos planos e ações que realizam, mas também aplicam sistemas complexos, mas eficazes, em todas as áreas de intervenção desportiva e recreativa. Até parece que, em alguns deles, realizam Cidades Europeias de Desporto todos os anos.
Guimarães, com este evento, plantou muitas sementes, precisa agora de ver florescer uma juventude ativa e saudável e um desporto inclusivo, em que os mais aptos entrem no processo desportivo de qualidade e que a prática de atividade física preencha a vida de todos.




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