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Batalha sem fim

Três razões na escolha deste título de Aquilino Ribeiro. Primeira a louca teimosia de José Algodres enterrando na areia teres e haveres numa sonhada miragem impossível, buscando fantasioso tesouro crúzio, raiando a estupidez e ofendendo o bom senso, mesmo que a vejamos fruto da revolta contra a pobreza. Segunda o cenário de pobreza em que o romance se centra, na “triste Praia do Pedrogo”, como a diz a Ti Xarana; miséria que vive com os Sarnica os Miras os Arais – gente que conheci – porque o Mar não dá e a Terra nega.

Gonçalo Reis Torgal
8 Nov 2013

Terceira o escrever da Praia do Pedrógão na orla do Pinhal do Rei, que Afonso Lopes Vieira chamou “Catedral Verde e sussurrante”; Pessoa “Naus a haver” para as quais Torga dali sacou “O Mastro Grande” que fez “Homem de Pinho”, poéticas designações não ofuscadas pela posterior apóstrofe de local, “Pinhal de Leiria”, de violentos roubos. E a fatal quarta razão: homenagear o inquieto e revoltado Aquilino no pouco lembrado cinquentenário da sua morte, centenário do seu primeiro livro.
Na ficção de Aquilino temos pois, no Pinhal que fora do Rei e depois dos ladrões, num cenário de pobreza, um visionário, cego pela ambição, insensato e teimoso, num idealismo virado estupidez, a desperdiçar o que tinha e herdara e o que não tinha, caminhando de olhos fechados para o abismo, isto é, a miséria, sem que a sua insensatez bula com os ricos, que o ignoram e desprezam.
No plano da realidade portuguesa, um visionário teimoso, nas raias da loucura política, insensato, insensível ao sofrer do próximo, desumano Alibábá, Senhor de um bando de bem mais do que os quarenta da história das Mil e uma Noites, em Batalha sem Fim para empobrecer os portugueses, Batalha que só terminará, se ninguém se lhe opuser, quando a pobreza virar miséria absoluta com o locupletar dos Ricos para quem as Leis parecem ser feitas pois se lhe ajustam na perfeição. Rapinagem tão feroz como a que celebrizou o Pinhal de Leiria, porém menos arriscada. O ladrão do Pinhal bem poderia levar um tiro do assaltado. No caso vertente o assaltante está incólume, mesmo se mente ou ultrapassa a Lei. Acresce que é mais imoral: os ladrões do Pinhal de Leiria, más pessoas, assaltavam os abastados mercadores que ali ousavam passar. O Alibábá governativo, tido por pessoa de bem, assalta de preferência e sem pudor velhos, doentes e crianças – coisa que João Brandão e Zé do Telhado nunca fizeram – a quem nega Educação, enquanto aqueles nega dignidade, sossego e a esperada velhice tranquila – a PAZ de que falava João XXIII.
Vivemos ásperos tempos. Não desculpo o passado, culpado e sacudindo a água do capote, à espera de voltar a enganar os portugueses, capazes de se deixarem enganar, como incapazes são de se indignarem. Mas não perdoo o presente. Não perdoo a CPP e a PP. Não agem como pessoas de bem e não governam de boa fé. CPP é vaidoso e sem senso, é antipático por arrogante e sobretudo desumano. Paulo Portas lembra-me Luís XI – O Raposa: astuto e melífluo. Destes cabecilhas não temos quem nos defenda. O P.R. protege-os e na AR os Deputados esquecem que são do POVO. Agem como se do Governo fossem. No topo da cabotinice o Deputado João Oliveira, berrando histérico contra o POVO, bem emparelhado com o inefável Rosalino, cabotino da mais alta espécie, que fugiu cobardemente aos Deputados quando ali foi mentir e insultar o POVO.
Nesta Batalha sem FIM ganha acuidade o pensamento do Papa Francisco que a Comunicação Social escondeu: “Alguns políticos têm-se dedicado a endividar as pessoas, fazendo com que fiquem dependentes. – E para quê? Para aumentar o seu poder. Eles são grandes especialistas em criação de pobreza e isso ninguém questiona. Eu esforço-me por lutar contra esta pobreza.”
Não vejo foto mais fiel de CPP e PP.




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