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A oca paz partidária

A democracia de certos democratas em Portugal pode ficar ferida, doente ou até fora de prazo em qualquer momento. Mas, se persistente ou teimosa, no nosso país e com o povo que temos/somos, tal democracia recompõe-se, vence quaisquer que sejam os obstáculos. Isto é Portugal. Tais democratas estendem os tentáculos subterraneamente e buscam tudo que podem para passar à ação, servindo-se e servindo não se sabe concretamente a quem, porque convencidos vivem que os outros não são inteligentes ou que têm memória de galinha ou de outro animal semelhante.

Artur Soares
8 Nov 2013

É público o relatório da Organização Internacional do Trabalho que aponta o grave problema dos nossos jovens qualificados não terem onde possam exercer uma oportunidade de trabalho, a não ser emigrando; alertam das graves consequências económicas que tal situação acarreta ao país; analisam a falta de confiança que lá fora sentem em nosso desfavor; avisam os dirigentes do Governo que não são recomendáveis “medidas indiscriminadas de cortes, sobretudo nas áreas importantes para o emprego”; refletem sobre o estrangulamento do crescimento económico por atos de rapacidade feitos ao povo; aconselha a Organização Internacional do Trabalho a que Portugal faça um aumento do salário mínimo para atenuar a vida de quem trabalha e incentivar o consumo interno.
Esta gente, estes servidores contra um Portugal já ocupado, afirmam que “os nossos donos estrangeiros” não deixam aumentar o salário mínimo e há que continuar a chafurdar na servidão, no massacre e enviar “a toda a força” gente para os neurologistas, para os psicólogos e para as janelas dos quintos e sextos andares, para que deles se lancem para a rua.
Não há “união bancária” na Europa, diz a referida Organização.
Como houvera de haver se os interesses dos mais fortes do capital ditam as regras? Os leões só comem carne fresca às refeições e que satisfaça. Os outros, os pequeninos, comem o que sobra aos predadores da selva. E nós, este não nobre mas pobre povo, sente as dificuldades acrescidas porque quem nos governa não são mais que uns pedantes e noutros casos, tratantes, mesmo sem apresentarem tratados de nada.
Apela o Presidente da República para que haja entendimento entre os três partidos democráticos para salvarem o país desta miserável vida económica, iniciada pelo governo socrático. Dificilmente será possível a concretização de tal apelo.
Os Partidos políticos vivem uma oca paz partidária e nem a crise nacional os une. A ambição do poder domina-os. A fome de dinheiro e de privilégios cega-os.
Os socialistas bicam-se debaixo do telhado: são os socráticos dum lado; os costistas do outro e ao fundo, quais raposas de ataque, os soaristas. E para que o triângulo não fique sem nada ao centro, os seguros, que nada mais são que penas de pássaro esvoaçando ao sabor e segundo a vontade dos ventos que têm de tragar.
Os social-democratas, órfãos de capacidades, de ideias, de seriedade política e económica, ferram-se em várias “inclinações” internas e manifestando publicamente através das televisões, vão anunciando que o seu líder não passa de lenho verde, teimoso e capataz pretensioso.
Os democratas-cristãos, onde a democracia ou a informação política e económica interna parecem rarear, solavanqueiam-se entre as birras do seu líder e o cochicho nos cantos da casa sem luz, ou em lamúrias públicas ocasionais.
Os restantes, utópicos e caducos nos seus ideais, esquecidos de que o Muro de Berlim caiu, vão acordando o povo nas ruas para que reajam e pensem, mas na verdade para mais não são capazes.
Assim, perante uma oposição sem miolo; perante o actual governo; perante uma maioria e um presidente da República da mesma tonalidade política, não teremos receio de afirmar que é difícil hoje encontrar-se homens em Portugal com qualidades de líder, porque em extinção há mais de uma década.
Na verdade, líderes que conhecem e fazem assaltos, que semeiam o medo, o desequilíbrio económico, promessas eleitorais incumpridas, mentira permanente, fome e dívidas nacionais… líderes deste calibre ou governos sem governo, o povo mata-os em devido tempo.
Assim sendo, democracia ferida, doente ou fora de prazo, só acontece desde que não se saiba ler a vontade da sociedade civil, da opinião pública. Logo, há que tomar decisões, escolhas contínuas e levar o povo com confiança a participar na vida e nas estruturas políticas que a democracia oferece.  




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