Fotografia:
A tomada de posse e os ruídos

Agora que baixou, definitivamente, o pano sobre as tomadas de posse dos eleitos autárquicos de 29 de setembro (umas com mais pompa e circunstância e outras nem por isso), é tempo de os políticos recolherem delas alguns ensinamentos para o futuro. Por exemplo: foi deveras pedagógico e bonito de ver, na Câmara do Porto, o cessante Rui Rio a passar o testemunho, retirando do seu peito e colocando-o, emocionado, no peito do independente Rui Moreira, o vistoso colar de presidente.

Dinis Salgado
6 Nov 2013

É que, para além do mais (holofotes, luzes da ribalta, vitórias alcançadas e egos exaltados), o que realmente conta na gestão de qualquer autarquia (grande ou pequena, rica ou pobre) é o bem comum; e, então, a tomada de posse deve ser o momento próprio e ideal para se enterrarem os machados de guerra das campanhas eleitorais, esquecendo minudências, e todos os eleitos arregaçarem as mangas e fazerem o que melhor souberem e puderem pela terra que os escolheu, porque, ao fim e ao cabo, todos são, nas devidas proporções e posições, ganhadores.
Pois bem, cá na nossa augusta, dos Arcebispos, barroca e bimilenar cidade de Braga, a tomada de posse do executivo autárquico e da Assembleia Municipal revestiu-se, obviamente, de pompa e circunstância, não fora a vitória suada e apetecida, como o Theatro Circo o palco privilegiado da Cultura e dos grandes eventos. Só que a ausência de Mesquita Machado – o afastado dinossauro pela delimitação de mandatos – logo despertou alguns ruídos.
É que muitos bracarenses se interrogam: porque faltou Mesquita Machado? Custou-lhe engolir a derrota do seu partido? Não foi convidado? Por uma questão de cortesia não quis, concentrando sobre si as atenções, retirar o evidente brilho ao vencedor Ricardo Rio? Ou, tão simplesmente, não lhe apeteceu estar presente?
As opiniões dividem-se e aceitam-se apostas; mas, a verdadeira resposta é, obviamente, do foro íntimo de Mesquita Machado, porque só ele sabe porque não esteve presente; ou, quando muito, alguns confidentes e amigos do peito. Todavia, questionado pelos jornalistas sobre a razão da sua ausência, o ex-presidente terá respondido: fui convidado como simples cidadão, se fosse convidado para discursar, estaria presente.
E, aqui, é que bate o malho: como orador, o que teria Mesquita Machado para dizer? Ou melhor, aproveitando a oportunidade, o que desejaria dizer aos bracarenses e a Ricardo Rio, seu sucessor? Será que queria anunciar já a sua recandidatura para 2017?
Mas, foi António Braga que, na qualidade de presidente cessante da Assembleia Municipal, fez o panegírico do fim do ciclo de 37 anos de poder socialista; e enaltecendo o trabalho realizado, comparou, politicamente, Mesquita Machado ao Arcebispo D. Diogo de Sousa; ora, Mesquita Machado, mesmo discursando, não faria melhor e, até, lhe ficava mal fazê-lo deste jeito.
Penso, todavia, que Mesquita Machado devia ter estado presente na cerimónia, porque, em democracia, quer para os candidatos, quando bem intencionados, quer para os eleitores, quando se regem por princípios e valores, ganhar ou perder é sempre um ato digno e plausível; e saber aceitar uma derrota com hombridade e naturalidade, ainda mais digno e plausível é.
Agora, se Mesquita Machado ainda pensa na recandidatura daqui a quatro anos, a sua presença na tomada de posse era, já, uma mais-valia. Porque, doutro modo, só nos resta praguejar:
­– Porra, vai cá uma nortada!
Então, até de hoje a oito.




Notícias relacionadas


Scroll Up