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A principal razão dos cursos de Engenharia sem candidatos

A comunicação social difundiu largamente o facto de que este ano os cursos de Engenharia ficaram sem candidatos. Deram-se numerosas razões, mas, quanto a nós, faltou a principal. Um grande número de alunos reprovou no Exame de Matemática posto pelo famoso GAVE (Gabinete de Avaliação Educacional, Ministério da Educação). Não estão em arquivo as provas de 2013, mas em http://bi.gave.min-edu.pt pode ver-se a prova de 2012 (1.ª fase). Sempre o mesmo estilo gaviano: metade do ponto são charadas associadas a Totobola. Sempre a loucura do “Cálculo de Probabilidade” em ambas as partes do ponto. Tente-se comparar com exames dos “colleges” ingleses ou americanos, por exemplo em www.dulwich.org.uk/docs/admissions/16-mathematics-specimen-examination.pdf?sfvrsn=3.

Júlio Barreiros Martins
6 Nov 2013

Os devaneios do GAVE e/ou de outros responsáveis do Ministério chegam a criar situações caricatas (e dramáticas para os jovens) como a de um aluno com 18 ou mais valores a Biologia do 12.º ano e com 13,9 valores a Matemática não poder candidatar-se a Medicina na 1.ª fase dos concursos de 2013. Daí que muitos dos candidatos se “refugiem” na Faculdade de Medicina da Universidade de Santiago de Compostela, onde 11% dos alunos são portugueses. Mas esta solução só serve para filhos de famílias “ricas”.
Outra consequência ainda mais perniciosa: muitos candidatos a Medicina procuram cursos em universidades ou institutos privados que têm esse tipo de cursos. Consultando, via internet, um hospital privado da região, verifica-se que praticamente todos os médicos dentistas desse hospital são jovens formados numa universidade privada ou instituto privado do Norte.
Repare-se ainda que o link inglês acima referido refere-se a um “exame de admissão”. Em Portugal, desde há muitos anos, as universidades recebem os seus alunos sem terem sido “ouvidas nem achadas” para esse efeito. Mais, mesmo durante o PREC, eu próprio fiz parte de uma comissão composta de professores das universidades e do ensino secundário que elaborou as provas de admissão às Engenharias. Realmente, a este e outros respeitos, parece que vivemos num País de vários dirigentes loucos à solta. E a situação não é só de hoje, vem de há muitos anos.
Depois, vários agentes partidários difundem repetidamente nas televisões, quase hora a hora, a “vergonha” que é os licenciados portugueses terem de procurar emprego fora do País, nomeadamente os engenheiros civis. Ora, hoje o Mundo é uma aldeia. Um jovem com Mestrado Integrado em Engenharia Civil (o nome que agora tem a antiga licenciatura em Engenharia Civil) tem que estar mentalizado para trabalhar em Angola, Moçambique, África do Sul, Marrocos ou noutro país da África, da América Latina ou da Ásia onde a empresa a que concorre tem escritórios ou obras em realização.




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