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A célula radical da educação em família

Os pais, na sua espinhosa função de educadores, nem sempre muito bem compreendidos e estimados, empenham-se, não só através das palavras, pedidos e lágrimas, mas sobretudo com as suas exemplares ações, sacrifícios, reações e condutas, a servirem de modelos aos filhos, embora passageiros. São modelos que estimulam os filhos a serem, com mais ou menos ajustamentos, disciplinados, trabalhadores, cumpridores, respeitadores, altruístas, compreensivos, cooperadores, compassivos, solidários, benevolentes, apaziguadores, empáticos?e… bem integrados nos valores morais, religiosos e culturais da sociedade; bem integrados nas respetivas comunidades científicas, técnicas, estéticas, pedagógicas, antropológicas, culturais…; atenciosos, delicados, respeitadores, honestos, responsáveis e amigos…?Esta é a área da e-duco (conduzir para fora).

Benjamim Araújo
6 Nov 2013

Tais modelos estimulantes encontrámo-los, sem dúvida nenhuma, na Bíblia e serpenteiam, com abundância, no campo social, político, moral e religioso. No campo moral e religioso, tais modelos crepitam, em brasa, no seio das Igrejas e bem vivos nas Ordens Religiosas.
Sem rejeitar, isolar e desvalorizar os seus responsáveis empenhos educativos, não me vou coibir de procurar e de tentar descobrir, em mim e em ti, o agente eficiente e incentivador da minha e tua educação autêntica, autónoma, livre e responsável.
Não vou deslocar nem responsabilizar ninguém pela minha boa ou má educação. Assumo-a
na minha liberdade de ser autónomo e responsável. Assumo-a,
através da responsável vivência de todas as minhas consciên-
cias, que me mobilizam e me incentivam para a sua edificação. Esta é a área da in-duco (levar para dentro).
Descobri, na pacífica meditação do meu espírito, após reflexivamente o procurar, esse agente incentivador da grandiosa edificação da educação. Encontrei-o no seio das recetivas famílias, abertas, compreensivas, compassivas e aceitadoras. Encontrei, para lá do meu íntimo, esse agente, a célula singular, universal e vivificadora da educação. Esta célula é a nossa autêntica natureza, una na sua constituição de espiritualidade corporalizada, consciente ou inconsciente para nós, implícita em toda a nossa vida existencial, superando-a.
Gostaria de realçar, no seio das famílias, o acolhimento da nossa autêntica e concreta natureza, a crepitar na braseira viva do seu amor. Vou descrevê-la com duas pancadas de caceteiro, não só para estimular o seu desejo no seio das famílias, mas também para incentivar o apetite devorador das vontades das famílias, acolhendo-a.
A nossa autêntica natureza (o ser ôntico), além da sua singular constituição, gloria-se com a sua identidade e encanta-se com a terna voz dos seus imperativos gestores. Estes manifestam-se, ansiosamente, nos flamejantes desejos de integração nos impulsos vitais da observação objetiva dos pensamentos da mente e na determinação da vontade.
A identidade do ser ôntico raia nas cintilações do amor, da vida, beleza, verdade, luz, paz e sabedoria. O ser, com os seus relacionamentos dinâmicos, imanentes e universais, exige da pessoa o dever de integrar e de sintonizar a sua vida existencial na sua acolhedora identidade.
Educar-se será, então, auto-integrar-se na constituição da sua autêntica natureza e ouvir os seus imperativos. A auto-educação será, então, a sua auto-sintonização com a flamejante identidade do seu ser ôntico.
A inter-relação do binómio (e-duco e in-duco) tem, efetivamente, de se realizar no nosso meio ambiente interior e exterior, para bem da saúde mental e da maturidade emocional do indivíduo e de qualquer sociedade.




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