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O melhor seria (mesmo) não dizer nada

1 A morte pertence ao impensável, ao indizível. É por isso que o seu lugar devia ser o silêncio. Como pensar o que não pode ser pensado? Como dizer o que não pode ser dito? 2. Acerca da morte, as palavras falecem nos lábios e os pensamentos secam na própria mente. Como pensar aquilo que nós nem sequer experimentamos? Com efeito, só fazemos a experiência da morte dos outros. Ninguém faz a experiência da sua morte. 3. Já dizia Epicuro que quando nós estamos, ela ainda não está; quando ela está, nós já não estamos. Mia Couto assegura que «se morre nada quando chega a vez. É só um solavanco na estrada por onde já não vamos».

João António Pinheiro Teixeira
5 Nov 2013

4. A morte não fala. Actua. E actua inapelavelmente. Vem sem avisar. Chega e não pede licença para entrar. Não deixa ninguém em casa. Leva-nos a todos com ela. Vem sempre cedo ainda que viesse tarde. Nunca é tarde para morrer.
5. A vida e a morte são, à partida, o mais distante. Mas, à chegada, surgem tão próximas. Cada homem é o paradoxo de alguém que luta pela vida e que caminha (inexoravelmente) em direcção à morte.
6. A experiência mostra-nos que a vida é um caminho para a morte. Mas a fé afiança-nos que a própria morte é um caminho para a vida.
Em Jesus Cristo, nem a morte é totalmente morte. A morte de Cristo foi uma morte «morticida», uma morte que matou a morte, uma morte que foi vencida pela vida.
7. Sucede que é preciso morrer para vencer a morte.
Só quem dá a vida alcança a vida. A vida só se tem quando se dá.
8. Assim sendo, a morte não é termo; é passagem; não é fim; é trânsito. A morte fecha o ciclo da nossa vida terrena. E inaugura o ciclo da nossa vida eterna.
Bergerac tem razão quando escreveu: «Morrer não é nada, é terminar de nascer».
9. Nas viagens, é nas partidas que começamos a chegar e é nas chegadas que nos preparamos para, novamente, partir.
Também na vida, é ao nascer que começamos a morrer. E é na morte que acabamos, definitivamente, de nascer!
10. Mas a eternidade não é só o que vem depois do tempo. A eternidade começa no tempo. Afinal, «o Céu existe mesmo». O Céu começa na Terra. Quando se faz o bem!




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