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Viciada em jogo… processa entidade promotora

Por estes dias foi notícia que uma mulher, viciada no jogo da “raspadinha”, vai processar a entidade promotora por publicidade enganosa, pois, segundo ela, dizem que se ganha sempre e ela, mesmo apostando um euro de cada vez, nunca lhe saiu o que era prometido. O caso é ainda mais grave se atendermos a que a senhora em causa vive da prostituição e quando ganha algum dinheiro dessa atividade logo vai investir no dito jogo… sem resultado nenhum!

A. Sílvio Couto
4 Nov 2013

Mais do que um episódio a roçar um certo caricato esta situação é muito mais habitual do que parece, pois muita gente pretende ser rico sem trabalhar e ainda o recurso ao jogo poderá tornar-se um vício com dimensões quase incalculáveis.   
– Quando vemos agravarem-se as condições económicas do país e das pessoas, é comum proliferar a tentativa de esgravatar modos de sobrevivência. Repare-se nas apostas em frenesi, quando soa que há jackpot de algum dos jogos mais populares…
– Muitas vezes sob a capa de ajudar causas sociais, a entidade promotora – que até ostenta um nome de bem-fazer – procura ludibriar os mais aflitos, pois com pouco se tenta conseguir o muito de forma fácil, barata e sem trabalho… jogando, por vezes, os derradeiros recursos!
– Mais uma vez parece que somos levados a crer que o fascínio da riqueza – sobretudo se for rápida – seduz muito mais do que o correto esforço e o salutar merecimento pelo trabalho daquilo que se tem e do que se ambiciona ter.
– Em tempos de abaixamento moral vão surgindo salvadores com promessas de sucesso – de facto, só no dicionário é que ‘sucesso’ está antes de ‘trabalho’ – e de fortuna, criando novas ilusões sem que se faça o diagnóstico do que valemos, pois se pensa, ilusoriamente, que o dinheiro compra a felicidade em vez de, tantas vezes, a condicionar.
– Quantos expedientes de fuga se procuram engendrar para iludirmos a nossa incapacidade de nos aceitarmos com os dons e as capacidades, os erros e os insucessos, as vitórias e as conquistas, os conflitos e as reivindicações… Neste tempo que nos é dado viver não podemos continuar a ignorar quem nos tenta manipular ou nos quer comprar como novos escravos de uma nova etapa de consumismo.

– Sugestões para nova conduta
Perante estas incidências de busca de bem-estar com tonalidades de egoísmo ousamos propor breves sugestões ou desafios para a nossa conduta pessoal, de grupo, social ou coletiva:
• Cultivar a partilha fraterna – quando tantos tentam impor-se aos outros, mesmo que isso implique pisá-los sem olhar a meios, importa gerar critérios onde a partilha para com os outros os dignifique e os levante em vez de os maltratar com subtilezas mais ou menos materialistas.
• Promover a solidariedade – quando muitos se fecham às necessidades dos outros por defesa ou por desinteresse, urge criar sinergias de valores, desde a linguagem até aos gestos, por forma a estarmos atentos a quem vive ao pé de nós… sem nos fecharmos aos mais amplos desafios ao longe e ao largo.
• Desenvolver espaços de convívio – quando tantas e tão diversas iniciativas tentam fazer com que as pessoas saiam (ou procurem sair) de casa, não podemos desprezar quem queira desenvolver oportunidades de confraternização, seja nos espaços convencionais (associações, igrejas, cafés ou tertúlias), seja pensando noutros mais inovadores, como vivências de oração, de apoio a outros ainda mais necessitados ou até cultivando a mente e cuidando a cultura em ‘universidades seniores’ ou salas de animação… inter-geracional.
• Investir no património das pessoas – quando tantos investem na recuperação do património edificado – nesse espetáculo de degradação de muitos centros históricos de vilas e cidades! – é urgente lançar mão de todas as energias para que não sucumbam verdadeiras enciclopédias de vida, que são tantos dos nossos mais velhos, nem sejam enterrados aqueles/as que são a memória viva do nosso passado coletivo. Temos de recolher os seus depoimentos e de guardar o que nos possa ajudar a ter sentido de futuro… neste presente.




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