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Um dia diferente…

Gostamos de dizer que os dias são iguais e no entanto sempre somos capazes de os tornar diferentes, conforme celebramos ou vivemos os acontecimentos da  vida. Por estes dias,  lembramo-nos possivelmente mais dos que partiram,  amigos, companheiros familiares, adiantaram-se numa viagem que também nós faremos. Acreditar num mundo diferente e para melhor, ajuda a prosseguir este caminhar no meio de sinais, superando desafios e vencendo adversidades. Recordar alguém é uma forma de “fazer memória”, ir para além daquela lápide onde alguém um dia escreveu… aqui jaz um Homem bom, sim porque todos somos bons especialmente depois da partida.

J. Carlos Queiroz
3 Nov 2013

Por estes dias,  a visita ao cemitério é muito mais que um ritual, porém cada um terá por certo um sentir, um recordar, um silêncio que traduz sentimentos que permanecem na memória de cada um de nós. O cemitério está florido, às vezes por exagero, mas acredito com o respeito e a lembrança que quem partiu sempre nos merece.
Realmente, este sentir, este dia de todos os Santos, independentemente de ser ou não feriado, é celebrado em honra de todos os Santos e mártires, mas  continua também a ser aproveitado por floristas e lojistas para venderem flores e cirios, como forma de amenizar a crise e realizar algum rendimento. Uma outra questão, porventura pertinente, será o exame de consciência de cada um, perante a realidade que ali jaz.
Será que em vida dei  o devido valor e respeitei aquele que ali foi sepultado?  Num mundo cada vez mais materialista e onde se levantam questões de apoio aos idosos na doença, na velhice, na família, somos muitas vezes confrontados com situações de abandono e maus tratos, possivelmente mesmo sendo casos raros, serão sempre suficientes para constituírem preocupação e censura social.
Um dia diferente este que nos leva ao cemitério, um local que frequentamos com frequência ou talvez não, mas onde o silêncio e a tranquilidade nos convidam à meditação e à reflexão. Por estes dias, a recordação é um convite à proximidade, mas também à certeza que nos espera. Dizemos que a morte é um mistério  que sempre nos surpreende e no entanto sempre soubemos que esse é o nosso destino.
Li algures que “com o tempo, aprendemos que perdoar ou pedir perdão, dizer que amas e que sentes falta, junto de uma urna, deixa de fazer qualquer sentido, daí que devemos ter presente que nos tornamos velhos muito rapidamente e sábios demasiado tarde”. Neste dia, como em todos da vida, vale a pena refletir e amar os vivos, celebrando  o dia de todos os Santos como uma recordação que permanece no tempo.




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