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Guerras políticas inúteis

Não se vislumbra no horizonte do povo português como sair desta imensa trapalhada social, económica e financeira que os políticos nacionais arranjaram a este país. O futuro está seriamente comprometido, principalmente para as camadas mais novas que se vêem arredadas do mercado de trabalho e de pensarem, sequer, em constituir família. Os nossos jovens não terão oportunidades, nem possibilidades de mostrarem todo o potencial que possuem. Tanta qualificação, tanto estudo, tanta licenciatura para quase nada! É um autêntico desperdício de energia, de conhecimentos, de mão-de-obra capacitada.

Armindo Oliveira
2 Nov 2013

Tanto dinheiro investido na inteligência e na formação para ser despachada para os caminhos da emigração. Triste gente que detém as rédeas do poder e não foram e não são capazes de gerar riqueza para os seus governados. Uma coisa, contudo, me parece certa: com esta classe política não vamos a lugar nenhum, nem podemos, tão pouco, aspirar a ter uma vida mais recatada e proveitosa. É a sina de um país em decadência, desmoralizado e desmobilizado da grande tarefa de enfrentar os problemas que vão destruindo o tecido social de forma inexorável. Não temos na governação gente madura, gente determinada, gente com classe e capaz de superar as dificuldades. Estamos de joelhos, simplesmente, à espera da comiseração dos credores.
Penso, sinceramente, que em condições normais e com governantes normais não seria difícil governar este país, que só tem dez milhões de pessoas. E governar com qualidade e acerto. Portugal tem, de facto, um território maravilhoso com potencialidades várias para se viver bem e com toda a dignidade. Tivemos o enorme azar de vermos instalados na governança políticos pouco hábeis e com défices assinaláveis de competência, de rigor e de responsabilidade. É justamente isto que falta: responsabilidade e sentido de Estado.
É com inusitado espanto, e nestas horas amargas de crise social em que muitas famílias e muitas empresas se debatem para sobreviver, que assistimos, de borla, a todo um espectáculo tristonho de faltas de respeito e de hombridade, encenado por altas figuras do Estado que têm ou tiveram responsabilidades directas no descalabro económico a que chegamos. Só para se ter a noção do ridículo deste folhetim de novela, pode citar-se as palavras de algumas altas individualidades. Mário Soares: “No governo de Passos Coelho há delinquentes…” e o mesmo remata com: “ Não sei porque o Presidente da República ainda não foi julgado”. Por sua vez, José Sócrates apelida de “bandalho” Santana Lopes e chama “pulhas” aos membros da JSD. O mesmo atira-se ao ex-ministro das Finanças alemão chamando-lhe “estupor” e remata com o anátema truculento de “filho da mãe”. Eduardo Catroga também entra na história e diz que José Sócrates deveria estar a ser julgado por ter conduzido o país à bancarrota”. Santana Lopes riposta e apelida Sócrates de “animal raivoso”. Belo espectáculo!
Tantas outras afirmações gratuitas e tremendamente ofensivas poderiam ser usadas para testemunhar a baixeza a que chegou a nossa política. Enquanto a Justiça não funciona, os políticos se “divertem” com estas rasteiradas execráveis, o país se afunda e o povo empobrece a olhos vistos.
No combate político não vale, nem pode valer tudo. É necessário mais ponderação nas palavras, mais respeito pelas instituições, mais dignidade pelos princípios e valores democráticos, mas essencialmente uma atitude e um comprometimento mais sentido e mais autêntico com o sofrimento e os sacrifícios que estão a ser feitos por milhões de portugueses. Não é justo que esta gente se comporte desta maneira deselegante, malcriada e irresponsável. A falta de ética e de seriedade, a falta de civismo e fundamentalmente a falta de educação e de sentido de Estado estão bem presentes no discurso e na agenda de alguns políticos que não conseguem engolir os erros crassos de governação que cometeram. Em vez de andarem a guerrear-se estupidamente, era preferível e razoável que pedissem desculpa ao povo português pelo desastre social que provocaram. Se assim fosse, davam, ao menos, sinais de serem gente honrada e gente com alguma humildade e dignidade. Mas, nem isso sabem fazer.




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