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País maduro, mas sem rumo

Foi afirmado por gente grande dos Estados Unidos da América de que Portugal iria ser ainda um dos grandes países da Europa por ter grandes potencialidades (próprias e naturais) em muitas zonas do seu território. Não vai há muito tempo que tive possibilidades de escrever sobre isso e concretamente apontei essas potencialidades que temos. Porém, como em tudo, há sempre um “mas” ou o reverso da medalha. Na verdade temos uma das maiores áreas marítimas e temos canas, mas não temos quem lidere a pesca; temos dos melhores terrenos para usufruir deles o que quisermos e temos sacholas para cavar, mas não temos quem explique a melhor forma de fazer os regos no chão; temos as serras e montes onde abunda todo o género de minerais muito importantes e temos as brocas, mas não temos líderes que indiquem as melhores formas de fazer a perfuração. País maduro, mas sem rumo!

Artur Soares
1 Nov 2013

Miguel Torga escreveu em 1993: “Ninguém me encomendou o sermão, mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, podemos e devemos ser ainda e, tanta subserviência às mãos de uma Europa sem valores”.
Podia-se até parar por aqui o presente texto. Torga, numa só frase, num simples desabafo abrange todo o mal que nos rodeia, que nos tem desgraçado como povo: enganados, explorados, ostracizados, bem como possuidores de má imagem internacional.
Há dias atrás, um grupo de economistas católicos debruçou-se sobre a economia de Portugal, sua pobreza imposta e indiretamente, como não podia deixar de ser, apontava como incompetentes estes últimos dirigentes políticos que nos têm desgovernado, saqueado e sem norte. Concluíram e afirmaram sem peias que o Orçamento próximo “não tem em linha de conta o indispensável enquadramento de opções de desenvolvimento a médio prazo, fixando-se, mais uma vez, em meros cortes de despesa pública e exercícios de equilíbrios orçamentais”.
Isto é, todo o programa ou ação destes dois últimos governos tem sido exclusivamente quererem pagar a dívida externa impondo saques aos seus funcionários e pensionistas que descontaram décadas para viver e morrerem sossegados, mas o Estado continuará sem um programa nacional para se produzir e pagar a quem se deve.
Pela dor que todos os portugueses vêm sentindo provocada por gente estagiária e sem o mínimo sentido de Estado, de justiça social e competência, não causa surpresa optarem pela subserviência a quem nos pretende devorar, em vez de se firmarem na exigência da renegociação da dívida, “de forma a aliviar, significativamente, o erário público do peso excessivo dos atuais encargos”.
Assim, quem confia no que fazem, quem apoia tal rumo nacional, quem pode confiar nas instituições do próprio Estado?
Mentem – e esta atuação já é norma – e têm apregoado que estamos numa fase de transição, quando está provado, pelo que não fazem, que é mentirosa essa propaganda.
De toda esta miséria que teima em não nos abandonar, também têm feito ecos, ao longo destes últimos anos, vários responsáveis da Igreja, de que tão monstruosa austeridade e saque são necessários terminar, quando disseram: Dom Jorge Ortiga afirmou: “O Governo está mais preocupado com o bem-estar pessoal ou, quando muito, do seu grupo ou partido do que com necessidades por que passam os portugueses”; O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, em julho passado, desafiou o Governo a ser um “modelo que estimule todos a procurar soluções, porque tudo isso era esperado pela população”; O senhor Bispo emérito de Setúbal acusou o Governo de não estar “à altura para governar, por haver falta de respostas aos problemas das pessoas”; O actual patriarca de Lisboa, ainda no Porto, pediu aos membros do Governo: “não apertem de mais, precisamos de respirar”; e o anterior Bispo das Forças Armadas foi mais frontal: “O Governo é profundamente corrupto e alguns ministros não passam de uns diabinhos” a fazer política, pois claro.
Face ao exposto, haja quem fiscalize e quem reaja, pois somos um país maduro, mas sem rumo.
 
NOTA: Na edição do Diário do Minho do dia 25 do mês findo, e a propósito do meu artigo de opinião – “A Leviandade nacional” – o senhor presidente da Junta de Freguesia de S. Vicente afirmou “que não aufere qualquer vencimento da Junta que dirige”, (…) “não retira qualquer benefício pecuniário”. No texto referido digo quanto pode ganhar um presidente de Junta, mas não se afirma quem o aufere. Logo, não se compreende a reação e a declaração, de trabalhar de borla na Junta, do senhor Jorge Pires, presidente da Freguesia de S. Vicente desta cidade de Braga. Tal reação e declaração não encaixam no texto “A Leviandade nacional”. Todavia, todos os que me leem sabem porque escrevo assim.




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