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Os benefícios da saúde mental (II)

As preocupações, os medos, as ansiedades, a insegurança e as indignações aumentam exponencialmente nos períodos de crise. Durante esses espaços de tempo, mais ou menos longos, as classes mais desfavorecidas ramificam-se em todas as direções e as pessoas tornam-se impotentes para solucionar os seus graves problemas, de um modo especial no atinente às suas necessidades básicas pessoais e familiares e à praga do desemprego que, muitas vezes, vem coroar de espinhos a sua já depauperada situação financeira. Segundo estudos recentes, 30 a 34% dos desempregados têm hipóteses sérias de adquirir perturbações psicológicas.

Artur Gonçalves Fernandes
31 Out 2013

Só uma grande onda de solidariedade social pode atenuar estas maleitas cancerosas e evitar estados de desânimo radicais que se vêm agravando em cada dia que passa. E o que é mais grave é que muitos responsáveis por estas situações de vida, em virtude da sua governação ou gestão incompetente, desastrosa e sem escrúpulos, contribuem, direta ou indiretamente, para estes estados desumanos da vida de tantas pessoas. Os países estão a empobrecer de um maneira preocupante com o ataque drástico e feroz sobre os exíguos rendimentos da maioria das pessoas, acrescido de uma ditadura fiscal que as sufocará a breve trecho. Nestas circunstâncias, torna-se muito difícil aguentar e desenvolver uma saúde mental forte. No entanto, as pessoas têm o direito de se indignar e de lutar, por todos os meios lícitos ao seu dispor, para inverter este caminho que os responsáveis reputam, falaciosamente, como único e irreversível. As pessoas desanimadas, apreensivas, angustiadas e deprimidas têm a tendência para procurar a cura nos medicamentos tradicionais ou noutros meios materiais, tais como, o uso excessivo e desregrado de psicotrópicos ou o abuso da ingestão discriminada de bebidas alcoólicas e quejandos. Na maioria dos casos, tudo isso agravará a situação ou, no mínimo, será em vão. O único meio adequado para a resolução de tais males está na procura e consolidação de hábitos mentais corretos que venham substituir os antigos, ultrapassados, obsoletos e, sobretudo, inadequados. Quando conseguirmos um núcleo sólido de bem-estar interior é que estaremos em condições mentais para pensarmos de um modo ajustado, consonante e construtivo. A base da sanidade mental está dentro de nós mesmos. Como dizia Salomão, a causa dos impulsos destrutivos é fundamentalmente espiritual e não física. Consolidada a transformação psíquica, o homem conseguirá, então, a esperança firmemente ancorada nas águas profundas da confiança duradoira. Charles Kingsley escreveu: “Sei que todos pretendemos descanso interior; descanso do coração e do cérebro; carácter calmo, forte, independente, abnegado, que não precise de estimulantes, porque não tem crises de depressão; que pode passar sem narcóticos, porque não tem crises de excitação; que não precisa de freios espirituais porque é suficientemente forte para usar as dádivas de Deus sem abusar; um carácter, em resumo, que seja verdadeiramente temperado, não só em comida e bebida mas também em todos os desejos, pensamentos e obras; liberto das cobiças e ambições desenfreadas.” A parte mental humana deve dominar, em todas as circunstâncias, a vertente física. Só assim, o homem atuará de acordo com a sua natureza e em perfeita harmonia. O homem, na sua ânsia natural e legítima de fazer grandes descobertas, inventou, nos últimos tempos, máquinas capazes de o substituir em muitas tarefas e realizações que contribuem para o progresso da humanidade, simplificando o esforço pessoal. A conceção, produção e aperfeiçoamento dessas ferramentas tecnológicas só foram possíveis com base na lógica formal, ao criar uma linguagem capaz de traduzir a estrutura do pensamento. Este, porém, nunca será substituído por elas. O pensamento humano é que cria e domina todos esses inventos.




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